Crédito à Habitação com Período de carência

O crédito com período de carência popularizou-se com os créditos intercalares (para sinal ou troca de casa) e à construção de nova habitação.

Durante o período inicial do contrato de crédito da casa (período que varia entre 1 e 3 anos, consoante o banco), o cliente só paga os juros que incidem sobre o capital em dívida, ou seja, não amortiza capital. Assim, ao contrário do crédito à habitação convencional, em que a prestação é sempre composta por uma parcela de juros e outra de capital a amortizar no crédito com carência, a prestação só inclui juros durante esse período.

 

Nos últimos tempos, muitos bancos têm permitido que o cliente opte por períodos de carência de capital mesmo no crédito à habitação. Assim, já pode comprar casa com um empréstimo que prevê, durante a fase inicial, um período de carência de capital. Também aqui, o período inicial não pode ultrapassar 3 anos e, nalguns bancos, pode nem ser possível optar por um período tão longo.

 

Desvantagens do crédito à habitação com período de carência

 

 

A grande desvantagem em não amortizar o capital em dívida numa fase inicial é que, no final desse prazo, o capital em dívida é exac­tamente o mesmo que pediu emprestado (como se voltasse à estaca zero). Durante o período de carência, limitou-se a entregar ao banco juros a título gratuito. Assim, esta opção encarece bastante o empréstimo à habitação.  

 

 

Vantagens do crédito à habitação com período de carência

 

 

Durante o período inicial do empréstimo, paga uma prestação um pouco mais baixa (veja o exemplo em baixo). Ora, é precisamente na fase inicial do crédito que esta possibilidade é mais interessante:

1)   porque acabou de fazer um grande esforço financeiro. Em regra, esgotou as poupanças, para reduzir ao máximo o montante de em­préstimo e pagar as despesas de contratação (bancárias, registrais, notariais e impostos);

2)   porque o crédito da casa é normalmente contratado por mutuários em início de vida (sem rendimentos muito elevados). Prevê-se, contudo, que estes aumentem no futuro e, portanto, também a capacidade para pagar uma prestação mais elevada (após o período de carência). Assim, ter uma prestação reduzida significa maior margem de manobra na gestão do orçamento familiar

 

Exemplo de um crédito à habitação com e sem carência

 

para um empréstimo de € 125 000, a pagar em 20 anos, com uma taxa de juro anual nominal (TAN) de 5%, a prestação seria de € 824,94, num crédito à habitação tradicional.
Num crédito com carência de capital durante 36 meses, a prestação durante esse período seria de apenas 520,83 euros. Mas pagaria uma mensalidade de € 910,82 durante os restantes 17 anos. Se, nos primeiros 3 anos reduziria os encargos em cerca de 37% (face ao crédito tradicional), nos restantes 17 anos.teria um acréscimo de 10% em relação ao mesmo.

 

 

O crédito com carência de capital é extremamente desvantajoso, por ser mais caro. Contudo, é uma opção válida para os agregados que precisam de uma prestação reduzida, durante um período inicial, para conseguirem comprar ou construir casa com recurso ao crédito. Mas não se esqueça: se o fizer paga mais juros.

Regra geral, o período de carência do crédito à habitação é deduzido ao prazo contratado. Por exemplo, se pedir um empréstimo a 20 anos, com um período de carência de 2, o empréstimo será amortizado em apenas 18 anos, pelo que a prestação de juros e capital será calculada para esse prazo. Assim, para amortizar o capital no prazo pretendido, tem de adicionar o período de carência: ou seja, se tinha em mente amortizar o emprés­timo em 20 anos, solicite um financiamento por 22 anos.


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