Betoptic Betaxolol caracteristica medicamento

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

1. NOME DO MEDICAMENTO

BETOPTIC 5 mg/ml Colírio, solução

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada ml contém 5,6 mg de cloridrato de betaxolol (equivalente a 5,0 mg de betaxolol base).
Excipientes: cloreto de benzalcónio (0,1 mg/ml)
Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3. FORMA FARMACÊUTICA

Colírio, solução.

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1. Indicações terapêuticas

O BETOPTIC reduz a pressão intra-ocular e está indicado no tratamento de doentes comglaucoma crónico de ângulo aberto ou hipertensão ocular. Pode ser usado em monoterapia ou emcombinação com outros fármacos também utilizados na redução da pressão intra-ocular.

4.2. Posologia e modo de administração

A dose recomendada é de uma ou duas gotas de BETOPTIC no(s) olho(s) afectado(s), duasvezes por dia. Em alguns doentes a redução da pressão intra-ocular como resposta terapêutica ao
BETOPTIC poderá demorar algumas semanas até estabilizar. Tal como acontece com qualquernova medicação, recomenda-se uma monitorização cuidada dos doentes.

Se não se verificar um controlo adequado da pressão intra-ocular do doente com este regimeterapêutico, pode instituir-se simultaneamente uma outra terapêutica com pilocarpina e outrosmióticos e/ou adrenalina e/ou inibidores da anidrase carbónica.

Os estudos de eficácia e segurança foram realizados principalmente na população de meia idadee idosa. Não foram realizados ensaios clínicos para estabelecer a segurança e eficácia emcrianças. Não foram realizados ensaios clínicos com betaxolol por via tópica em doentes cominsuficiência renal ou hepática.

4.3 Contra-indicações

Hipersensibilidade à substância activa ou a qualquer dos excipientes. O BETOPTIC está contra-
indicado em doentes com bradicárdia sinusal, com bloqueio auriculo-ventricular não controladode grau superior ao grau I, em doentes em choque cardiogénico e em caso de insuficiênciacardíaca (em particular quando não controlada).

Devem tomar-se precauções em doentes com história de insuficiência cardíaca ou bloqueiocardíaco.

Tomar precauções quando se utiliza o BETOPTIC em doentes com a função pulmonar limitada
(ver secção 4.8 efeitos indesejáveis).

4.4. Advertências e precauções especiais de utilização

Nos estudos clínicos, o BETOPTIC provocou apenas um pequeno efeito na frequência cardíaca ena pressão arterial. Devem tomar-se precauções em doentes com história de insuficiênciacardíaca ou bloqueio cardíaco. O tratamento com o BETOPTIC deve ser interrompido logo quesurjam os primeiros sinais de insuficiência cardíaca.

Diabetes Mellitus: Os bloqueadores beta-adrenérgicos devem ser administrados com precauçãoem doentes com predisposição para o aparecimento de hipoglicémia espontânea ou em doentesdiabéticos (especialmente em doentes com diabetes mal controlada) medicados com insulina oufármacos hipoglicemiantes orais. Os bloqueadores dos receptores beta-adrenérgicos podemmascarar os sinais e sintomas de hipoglicémia aguda.

Tirotoxicose: Os bloqueadores beta-adrenérgicos podem mascarar certos sinais clínicos (porexemplo, taquicardia) de hipertiroidismo. Nos doentes em que se suspeite de desenvolvimento detirotoxicose, devem tomar-se precauções com vista a evitar uma suspensão brusca do tratamentocom bloqueadores beta-adrenérgicos, que poderia provocar uma crise de tiroidismo.

Grande Cirurgia: Deve tomar-se em consideração a suspensão gradual do tratamento combloqueadores beta-adrenérgicos antes de uma anestesia geral, pois estes podem reduzir acapacidade do coração para responder a estímulos reflexos simpáticos mediados pelos receptoresbeta-adrenérgicos.

Pulmonares: Devem tomar-se precauções no tratamento do glaucoma em doentes com umafunção pulmonar muito limitada. Têm sido referidos casos de crises asmáticas e diminuição dafunção pulmonar durante o tratamento com betaxolol. Embora novas exposições ao betaxololoftálmico de alguns destes doentes não tenham afectado adversamente os resultados dos testes dafunção pulmonar, não pode excluir-se a possibilidade de ocorrência de efeitos adversos a nívelpulmonar em doentes sensíveis aos bloqueadores beta.
Miastenia: O bloqueio beta-adrenérgico tem sido apontado como potenciador de fraquezamuscular em doentes com síndromes miasténicos (ex. diplopia, ptose palpebral, asteniageneralizada).

Oculares: Em doentes com glaucoma de ângulo fechado, o objectivo imediato do tratamento é areabertura do ângulo por constrição da pupila com um miótico. O efeito do betaxolol a nível dapupila é pequeno ou mesmo nulo. Quando o BETOPTIC é usado para reduzir a pressão intra-

ocular elevada em doentes com glaucoma de ângulo fechado, a sua aplicação deve ser feita emconjunto com um miótico e não em monoterapia.

Não foi ainda estabelecida a segurança e a eficácia deste fármaco em crianças.

Este medicamento contém cloreto de benzalcónio, o qual pode causar irritação ocular. Evitar ocontacto com lentes de contacto moles. Remover as lentes de contacto antes da aplicação eesperar pelo menos 15 minutos antes de as recolocar. Passível de descolorar lentes de contactomoles.

4.5. Interacções medicamentosas e outras formas de interacção

Doentes medicados simultaneamente com um bloqueador beta-adrenérgico por via oral e com o
BETOPTIC, devem ser monitorizados na perspectiva de detectar um potencial efeito aditivo,quer na pressão intra-ocular, quer nos conhecidos efeitos sistémicos dos bloqueadores beta.

Quando utilizado em monoterapia o betaxolol tem um efeito reduzido ou nulo sobre o tamanhoda pupila; no entanto, tem sido observada midríase com a utilização concomitante de
BETOPTIC e de colírios contendo adrenalina.

Recomenda-se uma observação cuidada dos doentes quando se administra um bloqueador beta adoentes medicados com fármacos que provocam depleção das catecolaminas, como a reserpina,uma vez que se podem verificar efeitos aditivos e o aparecimento de hipotensão e/ou bradicardia.

O betaxolol é um bloqueador adrenérgico; por conseguinte deverão tomar-se precauções emdoentes medicados simultaneamente com psicotrópicos adrenérgicos.

4.6. Gravidez e aleitamento

Não foram realizados estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas. Em animaishouve evidência de perdas pós-implantação. Deste modo, o BETOPTIC só deverá ser utilizadodurante a gravidez se os possíveis benefícios justificarem o potencial risco para o feto.

Desconhece-se se o betaxolol HCl é excretado no leite materno. Uma vez que muitos fármacossão excretados no leite materno, devem tomar-se precauções quando o BETOPTIC for aplicadodurante o aleitamento.

4.7. Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

É improvável que a capacidade de condução de veículos ou de manuseamento de máquinas sealtere após aplicação de BETOPTIC.

4.8. Efeitos indesejáveis

Os bloqueadores beta-adrenérgicos aplicados topicamente, podem ser absorvidossistemicamente. As reacções adversas verificadas com a administração sistémica dosbloqueadores beta1-adrenérgicos, podem também ocorrer após a sua aplicação tópica (ver secção
4.4. Advertências e precauções especiais de utilização).

Efeitos oculares: pode ocasionalmente ocorrer, após a instilação, desconforto ocular transitóriocaracterizado por ardor, sensação de queimadura e lacrimejo; têm sido referidos casos raros deeritema, prurido, coloração cerática punctata, queratite, anisocoria e fotofobia. Não pode excluir-
se também a possibilidade de ocorrência de reacções alérgicas, diminuição da sensibilidade dacórnea e secura dos olhos.

Efeitos sistémicos: raramente têm sido referidas reacções sistémicas após aplicação oftálmica debetaxolol. Estas incluem insónias, depressão, cefaleias, erupção cutânea, necrólise epidérmicatóxica, bradicardia, hipotensão, asma e dispneia.
O betaxolol oftálmico, um bloqueador beta cardioselectivo, provoca efeitos sistémicos mínimose tem sido largamente utilizado em doentes com glaucoma e doença respiratória reactiva co-
existente. Contudo, tem havido referência a ataques de asma e insuficiência respiratória duranteo tratamento com betaxolol. Embora novas exposições de tais doentes ao betaxolol oftálmico nãotenham provocado reacções adversas nos resultados dos testes da função pulmonar, não pode serexcluída a possibilidade de ocorrência de reacções adversas em doentes geralmente sensíveis aosbloqueadores beta.

4.9. Sobredosagem

Não existem informações acerca da sobredosagem no Homem após aplicação ocular. A DL50 dofármaco administrado por via oral variou entre 350-920 mg/kg em murganhos e 860-1050 mg/kgem ratos. Os sintomas que se espera que se verifiquem com a sobredosagem de um bloqueadordos receptores beta1-adrenérgicos administrado por via sistémica são hipotensão, bradicardia einsuficiência cardíaca aguda.
Uma sobredosagem por aplicação tópica de BETOPTIC pode ser removida do(s) olho(s) com
água corrente tépida. Se for consumido todo o conteúdo do frasco de 5 ml, a dose total debetaxolol será de 25 mg, que corresponde aproximadamente à dose diária recomendada de 10-20mg de betaxolol administrado por via oral para o tratamento da hipertensão.

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1. Propriedades farmacodinâmicas

Grupo fármacoterapêutico: 15.4.3 ? Medicamentos usados em afecções oculares. Medicamentosusados no tratamento do glaucoma. Bloqueadores beta.
Código ATC: SO1E D02

O betaxolol é um agente bloqueador dos receptores (beta1-adrenérgicos) cardioselectivo que nãopossui um significativo efeito estabilizador de membrana (efeito anestésico local) e é desprovidode actividade simpaticomimética intrínseca. Os bloqueadores dos receptores beta-adrenérgicosadministrados por via oral reduzem o débito cardíaco em indivíduos sãos e em doentes comperturbações cardíacas. Em doentes com insuficiência miocárdica grave, os antagonistas dosreceptores beta-adrenérgicos podem inibir o efeito de estimulação do sistema nervoso simpático,necessário para a manutenção de uma função cardíaca adequada.

O betaxolol não provoca efeitos significativos na função pulmonar medida pelo VEF, pela
Capacidade Vital Forçada (CVF) e pela relação FEV/FVC, nem foi observado qualquer bloqueiobeta-adrenérgico a nível cardiovascular durante o esforço.

Quando instilado no olho, o betaxolol provoca uma redução da pressão intra-ocular (PIO)elevada, independentemente de o doente sofrer ou não de glaucoma. O betaxolol oftálmico temum efeito reduzido ou nulo na constrição da pupila e um efeito mínimo nos parâmetroscardiovasculares e pulmonares.

O aumento da PIO constitui um factor de risco major na redução do campo visual nos doentesglaucomatosos. Quanto mais elevada for a PIO, maior é a probabilidade de lesão do nervo ópticoe da limitação do campo visual. O betaxolol reduz tanto a pressão intra-ocular elevada como aque se encontra dentro dos valores normais e o mecanismo deste efeito hipotensor ocular pareceser uma redução da produção de humor aquoso, conforme demonstrado por tonografia efluorofotometria do aquoso. O início de acção do betaxolol observa-se, geralmente, ao fim de 30minutos e o efeito máximo obtém-se, habitualmente, 2 horas após a aplicação tópica. Com umadose única obtém-se uma redução na pressão intra-ocular durante 12 horas.

Os resultados obtidos em ensaios clínicos controlados realizados em doentes com glaucomacrónico de ângulo aberto e hipertensão ocular, indicam que com o tratamento com betaxolol seobtém, a longo prazo, um benefício superior a nível do campo visual em relação ao que severifica com o tratamento com timolol, um bloqueador beta não selectivo. Além disso, durante otratamento com betaxolol não se observaram efeitos negativos no aporte de sangue ao nervo
óptico. Pelo contrário, o betaxolol manteve ou aumentou a perfusão/fluxo sanguíneo a nívelocular.

5.2. Propriedades farmacocinéticas

Após administração oral no ser humano, as concentrações plasmáticas máximas de betaxolol sãoatingidas em 2 a 4 horas, sendo a biodisponibilidade de aproximadamente 80%. No homem ofármaco não sofre efeito metabólico de primeira passagem e a semi-vida de eliminaçãoplasmática varia entre aproximadamente 16 a 22 horas. Em estudos de dose múltipla por via oralno homem, as concentrações sanguíneas no steady-state são atingidas em cerca de quatro diascom uma administração diária e a proporcionalidade dose-efeito mantém-se até no mínimo 60mg/dia. No homem a via metabólica primária do betaxolol envolve a O-dealquilação seguida dehidroxilação alifática dando origem a dois metabolitos inactivos. Aproximadamente 16% dofármaco é excretado inalterado na urina.

A administração ocular tópica de betaxolol em humanos conduz a uma exposição sistémicamínima. A concentração plasmática do fármaco após a administração tópica bilateral duas vezespor dia (BID) de uma solução de betaxolol a voluntários saudáveis foi de aproximadamente 0,4 a
0,7 ng/ml. Em comparação, no homem a concentração plasmática de betaxolol apósadministração de uma dose de 20 mg por via oral é aproximadamente 58 ng/ml.

5.3. Dados de segurança pré-clínica

Foram realizados, em ratos e coelhos, estudos de reprodução com o betaxolol HCl administradopor via oral. Verificou-se, nos coelhos e nos ratos uma evidência de perdas pós-implantação,respectivamente com doses superiores a 12 mg/kg e 128 mg/kg. Contudo, o betaxolol HCl nãomostrou ser teratogénico e não se verificaram, com doses subtóxicas, quaisquer outros efeitosadversos a nível da reprodução.
Em estudos prolongados em que o cloridrato de betaxolol foi administrado por via oral, amurganhos em doses de 6, 20 e 60 mg/kg/dia e a ratos em doses de 3, 12 ou 48 mg/kg/dia, nãofoi observado qualquer efeito carcinogénico. Não foram avaliadas doses superiores.

Em vários ensaios realizados in vitro e in vivo com culturas de células bacterianas e de mamíferoo betaxolol não apresentou efeitos mutagénicos.

O efeito vasorelaxante periférico do betaxolol ficou demonstrado num estudo in vivo realizadoem cães e os efeitos vasorelaxante e de bloqueio dos canais de cálcio foram comprovados emvários estudos in vitro em que se utilizaram vasos oculares e não oculares de modelos de rato,cobaia, coelho, cão, porco e boi. O efeito neuroprotector do betaxolol ficou demonstrado emexperiências realizadas tanto in vivo como in vitro em culturas de retina de coelho, culturas detecido cortical de rato e culturas de retina de pintos.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1. Lista dos excipientes

Cloreto de benzalcónio, cloreto de sódio, edetato dissódico, ácido clorídrico e/ou hidróxido desódio, água purificada.

6.2. Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3. Prazo de validade

3 anos.
Após 1ª abertura: 4 semanas

6.4. Precauções especiais de conservação

Não conservar acima de 25ºC.

6.5. Natureza e conteúdo do recipiente

O BETOPTIC apresenta-se em frascos conta-gotas brancos opacos de 5 ml de polietileno debaixa densidade, com um sistema de fecho também em polietileno de baixa densidade. A tampautilizada é de polipropileno branco.

6.6 Precauções especiais de eliminação

Não existem requisitos especiais.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

ALCON PORTUGAL – Produtos e Equipamentos Oftalmológicos, Lda.
Quinta da Fonte, Edifício D. Sancho I ? Piso 3
Rua dos Malhões, n.º 4
2770-071 PAÇO D?ARCOS

8. NÚMERO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Nº de registo: 8753707 ? 5 ml, colírio, solução, 5 mg/ml, frasco conta-gotas de polietileno debaixa densidade

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO / RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE
INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 09 Agosto 1990
Data da última renovação: 28 Setembro 2007

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO


Adicionar Comentário