SAIBA O QUE A GORDURA PODE FAZER AO SEU CORPO

A gordura dos alimentos confere um poder surpreendente às suas células. A atividade biológica de uma célula – portanto, sua propriedade de promover ou desestimular os processos das doenças – freqüentemente sustenta-se em um equilíbrio frágil de ácidos graxos derivados dos alimentos dentro da célula. Isso significa que o tipo de gordura que você come tem conseqüências enormes para sua saúde geral.

Novas pesquisas mostram que a ingestão de qualquer tipo de gordura detona fogos bioquímicos de complexidade singular nas células. O resultado pode ser o envio de mensageiros semelhantes a hormônios que estimulam inflamações, respostas imunológicas, coágulos sangüíneos, dor de cabeça, constrição dos vasos sangüíneos, dor e crescimento de tumores malignos. Por outro lado, determinadas gorduras incitam as células a produzirem elementos químicos que dissolvem coágulos sanguíneos indesejados, combatem a dor nas articulações e frustram as células cancerosas. Embora a farmacologia da gordura seja um processo muito complexo, envolvendo enzimas, muitas etapas metabólicas e um equilíbrio delicado de gorduras na célula, apresenta possibilidades sensacionais para a detenção do avanço das doenças e sua melhora.

Conhecer como a gordura atua sobre determinadas funções celulares críticas depende de duas grandes descobertas recentes. Primeiro veio da descoberta de que inúmeros processos físicos, como os coágulos sangüíneos e as inflamações, são amplamente controlados por substâncias semelhantes a hormônios, extremamente potentes – prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos – chamadas coletivamente de eicosanóides. Assim, mais significativo até, os pesquisadores descobriram que a matéria- prima desses vigorosos mensageiros eicosanóides é feita da gordura dos alimentos. Em outras palavras, a dieta alimentar serve como matéria-prima dos ácidos graxos para as fábricas de células, que produzem esses importantíssimos eicosanóides. Não é surpresa que o tipo e a quantidade de ácidos graxos específicos que ingerimos determinem o tipo e a quantidade de eicosanóides

resultantes. Eles podem ser biologicamente amigáveis ou perigosos. De qualquer forma, a grande mensagem é: você pode manipular os níveis e a atividade biológica dos eicosanóides que circulam no seu corpo através do tipo de gordura que ingere.

VOCÊ É A GORDURA QUE INGERE

Logo depois que você ingere a gordura, ela aparece nas membranas de suas células, onde seu destino metabólico é determinado. Embora os ácidos graxos sejam provenientes de muitas variações sutis de arranjos moleculares, duas categorias principais são de grande importância na formação dos eicosanóides: os ácidos graxos ômega-3, concentrados na vida marinha e em algumas plantas da terra, e os ácidos graxos ômega- 6, concentrados em óleos vegetais como o óleo de milho, óleo de açafrão ou girassol, e em alguns animais.

Quando consumimos ácidos graxos ômega-6 provenientes de um pedaço de carne ou do óleo de milho, eles ficam propensos a se transformarem em uma substância chamada ácido araquidônico que, por sua vez, libera substâncias altamente inflamatórias ou promove o espessamento do sangue ou a constrição vascular. A gordura proveniente dos frutos do mar é radicalmente diferente e mais benigna.

Seus ácidos graxos ômega-3 estão aptos a serem transformados em substâncias que combatem o acúmulo de plaquetas, dilatam os vasos sangüíneos e reduzem inflamações e danos às células.

Uma vez que os alimentos são feitos de misturas de ômega-3 e ômega-6, obviamente esses dois ácidos graxos estão continuamente dando instruções contraditórias às células. A predominância de um ou outro – os que promovem a saúde ou os que promovem a doença – depende da proporção entre os dois ácidos graxos em sua alimentação e, assim, em suas células, como afirma William E. M. Lands, Ph.D., um pesquisador prioneiro do óleo de peixe e ex-professor de bioquímica da Universidade de Illinois, em Chicago. Se as suas células estiverem repletas de ácidos graxos ômega-6, a provisão excessiva de prostaglandinas superativas está pronta para atacar furiosamente, gerando doenças. Se você tiver ácidos graxos ômega-3 suficientes, eles podem checar ou refrear o motor araquidônico que está liberando os eicosanóides geradores de doenças.

A BATALHA ENTRE OS ÓLEOS DE PEIXE E DE MILHO

Os riscos são grandes no que se refere a células. Para encurtar, como explica o Dr. Lands, suas células são um campo de batalha onde os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 lutam pela supremacia. E aquele que sair vencedor, dia após dia, ajuda a determinar suas condições de saúde. A verdade é que para a maioria dos norte- americanos e dos habitantes de outros países ocidentais, a derrota é constante. Nossa alimentação é rica em ômega-6 e pobre em ômega-3. O Dr. Lands afirma que os norte-americanos ingerem 10 a 15 vezes mais ômega-6 terrestres do que ômega-3 marinhos – “uma péssima proporção”. Por outro lado, os esquimós, conhecidos pelo baixo índice de doenças crônicas, ingerem 3 vezes mais ômega-3 do que ômega-6, principalmente devido ao fato de sua dieta ser baseada em frutos do mar. Provas do problema são encontradas nos tecidos dos norte-americanos. Em estudos realizados recentemente, Phyllis Bowen, professor associado do Departamento de Nutrição e Dieta Médica da Universidade de Illinois, em Chicago, descobriu que os ácidos graxos ômega-6 compreendiam 80% dos ácidos graxos insaturados que circulam nas membranas celulares dos norte-americanos. Comparativamente, os níveis de ômega-6 ficaram próximos aos 65% nos franceses, 50% nos japoneses e apenas 22% nos esquimós da Groelândia.

O excesso de ômega-6 preocupa os especialistas, como o professor emérito Alexander Leaf, da Harvard Medical School. Ele observou que quando se desenvolveram , há eras, nossos corpos recebiam grande quantidade de ômega-3 e pouquíssimo ômega-6. Hojem com a invenção dos óleos vegetais processados, a situação se inverte em muitas culturas. As dietas alimentares atuais, deficientes em peixe, privam nossas células de óleo marinho e sobrecarrregam-nas de óleos e carnes processadas – Big Macs e óleo Mazola – estranhos às nossas células. Ele acredita que nosso relativamente recente desequilíbrio de ácidos graxos provoca disfunções celulares, precipitando a atual epidemia de doenças crônicas, como as doenças cardíacas, o câncer, o diabetes e a artrite. O Dr. Leaf sugere que o corpo humano exige uma dose mínima de óleo de peixe e que a ausência dessa dose mínima acaba se manifestando no surgimento de inúmeras doenças. Novas pesquisas enfatizam o enorme poder salvador da gordura de peixe. A ingestão da gordura de peixe pode agir diretamente, salvando as pessoas da morte e da invalidez provocadas por ataques cardíacos. Estudos descobriram que a arteriosclerose – artérias doentes e obstruídas – piora quanto menos óleo de peixe a pessoa ingerir. O Dr. Lands desenvolveu uma fórmula que, segundo ele, pode prever precisamente as possibilidades de ataque cardíaco em uma pessoa; um pequeno furo no dedo mede a relação entre os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 no sangue da pessoa. Quanto maior a proporção de ômega-3 marinhos para ômega-6, menor o risco de ataque cardíaco. Da mesma forma, os estudos revelam que uma relação alta de ácidos graxos ômega-3 para ácidos graxos ômega-6 no sangue diminui as chances de desenvolvimento de câncer.

Embora não avaliemos, o consumo de óleos ômega-6, predominantemente em margarinas, óleos para saladas, óleo de cozinha e alimentos processados, está ajudando a criar um desastre em termos de saúde, afirma Artemis Simopolous, doutora em medicina, presidente do Centro para Genética, Nutrição e Saúde em Washington, D.C. É verdade, as autoridades em coração inicialmente estimularam o uso disseminado desses óleos vegetais para reduzir o nível de colesterol no sangue, sem suspeitar de que eles pudessem ter efeitos prejudiciais em outros aspectos da saúde, como o estímulo a doenças inflamatórias, a baixa imunidade e a promoção do câncer. Esses óleos ômega-6 são vilões bem- documentados do aumento da incidência de câncer e sua disseminação e morte em animais de laboratórios.

Na opinião de especialistas, a única forma de corrigir esse desequilíbrio anormal e alarmante de gordura nas células é diminuir drasticamente o consumo de alimentos ricos em ômega-6 e aumentar o consumo de ômega-3 marinhos. O impacto é quase imediato. Os estudos indicam que, dentro de 72 horas, podem-se observar os impactos bioquímicos benéficos sobre o tecido ingerindo-se aproximadamente 100 gramas de peixe ao dia.

É sábio comer peixe, principalmente peixes gordos, como salmão, sardinha, cavala, arenque e atum, pelo menos duas ou três vezes por semana. Entretanto, o acréscimo de qualquer quantidade de frutos do mar a uma dieta pobre em frutos do mar pode restabelecer um pouco o equilíbrio de ácidos graxos, ajudando a prevenir não apenas as doenças cardíacas, mas também as muitas doenças modernas associadas a uma “deficiência de gordura marinha”. Pesquisas mostram que a ingestão de apenas 30 gramas de peixe por dia pode ajudar a restaurar o funcionamento saudável das nossas células, salvando inúmeras pessoas da invalidez e morte prematura impostas pelas conseqüências inimagináveis dos poderes farmacológicos das gorduras.

 

Onde obter os ômega-3 que combatem mais doenças

Normalmente, a gordura com maior quantidade de ômega-3 pode ser encontrada nos peixes de alto-mar em locais de águas mais frias. As fontes mais ricas são cavala, anchova, arenque, salmão, sardinha, truta de lagos, esturjão do Atlântico e atum. Quantidades moderadas são encontradas no rodovalho, peixes serranídeos, tubarão, esperlano, peixe-espada e truta. Os crustáceos – caranguejo, lagosta, camarão, mexilhão, ostras, marisco e lula – contêm menor quantidade de ômega-3.

Para obter os maiores benefícios do ômega-3, cozinhe ou escalde o peixe. Fritar ou acrescentar gordura ao peixe, especialmente óleos vegetais com grande teor de ômega-6, diminui a potência do ômega-3 no peixe.

Opte pelo atum conservado na água e sardinhas enlatadas sem óleo, a não ser que seja o óleo da própria sardinha. Óleos acrescentados, como o óleo de soja, podem diminuir o teor de ômega-3. Além disso, escorrendo o óleo do atum enlatado, você retira de 15% a 25% dos ômega-3, enquanto escorrendo a água você perde apenas 3%.

Pode-se também obter uma certa quantidade de ômega-3 em determinadas plantas. As maiores concentrações estão nas nozes, linhaça e sementes de colza (matéria-prima do óleo de canola) e na beldroega, uma verdura considerada mato nos Estados Unidos, muito consumida na Europa e no Oriente Médio. No entanto, os Ômega-3 presentes nas plantas parecem ter apenas um quinto da potência dos ômega-3 marinhos no sentido de gerar reações benéficas nas células.

gordura-corporal

DOENÇAS QUE O ÓLEO DE PEIXE PODE MINORAR OU PREVENIR

  • Colite ulcerativa: (doença inflamatória do intestino): Em um teste, a ingestão de 4,5 gramas de óleo de peixe por dia – equivalente a cerca de 200 gramas de cavala – durante oito meses diminui em 56% a atividade da doença. Outro teste reduziu em um terço a necessidade de prednisona, um esteróide.
  • Psoríase: Reduz o prurido, a vermelhidão, a dor em alguns pacientes, e diminui a quantidade de medicamentos necessária.
  • Esclerose múltipla: Ajuda a diminuir os sintomas em alguns pacientes.
  • Asma: Reduz os ataques em alguns indivíduos.
  • Enxaqueca: Diminui a intensidade e a freqüência em algumas pessoas.

(fonte: trecho do livro, pág. 15-20, “Alimentação Que Pode Prevenir e Curar” Problemas Digestivos, Jean Carper, Editora Elsevier, Rio de Janeiro, RJ, 2004.)

Informações complementares:

 

 Artrite reumatóide: Reduz a dor nas articulações, ulcerações, enrijecimento e fadiga.

  • Ataques cardíacos: Reduz em um terço as chances de ataques cardíacos subseqüentes.
  • Obstrução de artérias: Mantém as artérias abertas e limpas. (As pessoas que ingerem óleo de peixe têm menos arteriosclerose.) Reduz em 40 a 50% o risco de nova obstrução das artérias após uma cirurgia de angioplastia.
  • Pressão alta: Elimina ou reduz a necessidade de medicamentos farmacêuticos para abaixar a pressão.

2 comentários

  1. Gleidis Rocha 26 de Junho de 2010
  2. luciana 22 de Agosto de 2011

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