Gynera, 0,03 mg + 0,075 mg, comprimido revestido Etinilestradiol + Gestodeno, Características do Medicamento

Resumo das características Gynera Etinilestradiol + Gestodeno

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

1. NOME DO MEDICAMENTO

Gynera, 0,03 mg + 0,075 mg, comprimido revestido

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada comprimido revestido contém 0,03 mg de etinilestradiol e 0,075 mg degestodeno.

Excipientes:
Cada comprimido contém:
Lactose mono-hidratada 3.43 mg
Sacarose 19.66 mg

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3. FORMA FARMACÊUTICA

Comprimido revestido

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

Contracepção.

4.2 Posologia e modo de administração

Como tomar Gynera

Os contraceptivos orais combinados, quando tomados correctamente, apresentam umarazão de falência de aproximadamente 1% por ano. A razão de falência podeaumentar quando os comprimidos são esquecidos ou tomados incorrectamente.

Os comprimidos devem ser tomados todos os dias à mesma hora, se necessário comum pouco de líquido, pela ordem indicada no blister. Diariamente deverá tomar umcomprimido durante 21 dias consecutivos. O blister seguinte deverá ser iniciado apósum intervalo de 7 dias sem toma de comprimidos, durante o qual ocorrehabitualmente uma hemorragia de privação normalmente 2 a 3 dias após o últimocomprimido e poderá não terminar antes do início do novo blister.

Como iniciar Gynera

? Sem utilização prévia de um contraceptivo hormonal (no mês anterior)

A toma dos comprimidos deverá iniciar-se no 1º dia do ciclo menstrual da mulher
(isto é, no primeiro dia da hemorragia). É possível iniciar nos dias 2-5, mas durante oprimeiro ciclo recomenda-se a utilização de um método contraceptivo de barreiraadicional para os primeiros 7 dias de toma de comprimidos.

? Mudança de um contraceptivo hormonal combinado (contraceptivo oral combinado
(COC), anel vaginal ou sistema transdérmico)

A mulher deverá começar a tomar Gynera preferencialmente no dia seguinte à tomado último comprimido activo (o último comprimido que contém as substânciasactivas) do seu COC anterior, mas no máximo no dia após o intervalo habitual semcomprimidos ou após o intervalo com comprimidos placebo do seu COC anterior. Nocaso de ter sido utilizado um anel vaginal ou sistema transdérmico, a mulher deverácomeçar a utilizar Gynera preferencialmente no dia da remoção, mas no máximoquando a aplicação seguinte deveria ter sido aplicada.

? Mudança de um contraceptivo só com progestagénio (mini-pílula, injecção,implante) ou de um sistema intra-uterino com progestagénio (SIU)

A mulher pode mudar em qualquer dia de uma mini-pílula (ou no dia da remoção deum implante ou SIU ou, ainda, no caso dum injectável, quando deveria seradministrada a próxima injecção), mas recomenda-se em todos estes casos a utilizaçãode um método contraceptivo de barreira adicional durante os primeiros 7 dias de tomade comprimidos.

? A seguir a um aborto ocorrido no primeiro trimestre

A mulher pode começar imediatamente a toma. Se assim for, não necessita tomarmedidas contraceptivas adicionais.

? A seguir a parto ou a um aborto ocorrido no segundo trimestre

Para mulheres a amamentar, ver Secção 4.6.

As mulheres deverão ser aconselhadas a iniciar a toma entre o 21º e o 28º dia após oparto ou um aborto ocorrido no segundo trimestre de gravidez. Quando iniciado maistarde, a mulher deverá ser aconselhada a utilizar um método adicional de barreiradurante os primeiros 7 dias de toma de comprimidos. No entanto, se já tiver ocorridouma relação sexual, deverá excluir-se a hipótese de gravidez antes de iniciar autilização de COC ou então a mulher deverá esperar pelo seu primeiro períodomenstrual.

O que fazer quando houver esquecimento dos comprimidos

Se o atraso na toma de qualquer comprimido for inferior a 12 horas, não há reduçãoda protecção contraceptiva. A mulher deverá tomar o comprimido logo que se lembree deverão ser tomados os restantes comprimidos à hora habitual.

Se o atraso na toma de qualquer comprimido for superior a 12 horas, a protecçãocontraceptiva poderá estar reduzida. Duas regras básicas deverão ser respeitadasquanto ao esquecimento dos comprimidos:

1. a ingestão dos comprimidos não deverá ser descontinuada por um período superiora 7 dias
2. para que haja um bloqueio adequado do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, énecessário que a toma dos comprimidos seja contínua durante 7 dias.

Assim, podem fazer-se as seguintes recomendações na prática diária:

1ª semana

A utilizadora deverá tomar o último comprimido esquecido logo que se lembre,mesmo que isso signifique tomar dois comprimidos ao mesmo tempo. Os restantescomprimidos serão tomados à hora habitual. Adicionalmente, deverá ser utilizado ummétodo de barreira como, por exemplo, o preservativo durante os 7 dias seguintes. Setiver ocorrido uma relação sexual nos 7 dias anteriores, deverá considerar-se apossibilidade de uma gravidez. Quanto maior for o n.º de comprimidos esquecidos equanto mais próximo se estiver do intervalo normal sem toma de comprimidos, maior
é o risco de uma gravidez.

2ª semana

A utilizadora deverá tomar o último comprimido esquecido logo que se lembre,mesmo que isso signifique tomar dois comprimidos ao mesmo tempo. Os restantescomprimidos serão tomados à hora habitual. Se a toma dos comprimidos foi correctanos 7 dias anteriores ao esquecimento, não haverá necessidade de precauçõescontraceptivas adicionais. No entanto, se não for esse o caso, ou se ela se esqueceu demais do que 1 comprimido, a mulher deverá ser aconselhada a utilizar precauçõesadicionais durante 7 dias.

3ª semana

O risco de redução de eficácia contraceptiva é iminente devido à proximidade com ointervalo dos 7 dias em que não há toma de comprimidos. No entanto, um ajustamentodo esquema posológico pode prevenir a diminuição da protecção contraceptiva.
Cumprindo uma das duas seguintes opções, não há necessidade de utilizar precauçõescontraceptivas adicionais se houve uma toma correcta nos últimos 7 dias antes doesquecimento. Se não for esse o caso, a mulher deverá ser aconselhada a seguir aprimeira destas duas opções e utilizar também precauções suplementares nospróximos 7 dias.

1. A utilizadora deverá tomar o último comprimido esquecido logo que se lembre,mesmo que isso signifique tomar dois comprimidos ao mesmo tempo. Os restantescomprimidos serão tomados à hora habitual. A embalagem seguinte deverá seriniciada logo que a actual termine, isto é, sem intervalo entre as duas. É poucoprovável que a mulher tenha uma hemorragia de privação até ao fim da segunda

embalagem, mas poderá surgir spotting ou hemorragia de disrupção nos dias de tomados comprimidos.

2. A mulher poderá também ser aconselhada a descontinuar a toma dos comprimidosda embalagem actual. Ela deverá então fazer um intervalo sem toma de comprimidosaté 7 dias, incluindo os dias de esquecimento dos comprimidos, e posteriormentecontinuar com a embalagem seguinte.

Se a mulher tiver esquecido alguns comprimidos e não ocorrer nenhuma hemorragiade privação no primeiro intervalo habitual sem toma de comprimidos, deverá serconsiderada a possibilidade de gravidez.

O que fazer em caso de perturbações gastrointestinais

No caso de perturbações gastrointestinais graves, a absorção pode não ser completa emedidas contraceptivas adicionais devem ser utilizadas.

Se ocorrerem vómitos nas 3 a 4 horas após a toma dos comprimidos, aplica-se oaconselhamento sobre o esquecimento de comprimidos citado na Secção 4.2.. Se amulher não quiser alterar o seu esquema posológico habitual, deverá tomar o(s)comprimido(s) adicional(is) de outra embalagem.

Como alterar ou atrasar um período menstrual

Para atrasar um período menstrual, a mulher deverá continuar com outra embalagemde Gynera sem intervalo. Este esquema poderá ser prolongado o tempo que eladesejar, até ao fim da segunda embalagem. Durante este esquema de toma, a mulherpoderá apresentar hemorragia de disrupção ou spotting. A toma regular de Gyneradeverá ser retomada após o habitual intervalo de 7 dias sem comprimidos.

Para alterar os seus períodos menstruais para outro dia da semana diferente daquele aque a mulher está acostumada como esquema habitual, ela pode ser aconselhada adiminuir o número de dias do intervalo sem comprimidos que se aproxima, em tantosdias quantos quiser. Quanto mais curto for o intervalo, maior é o risco de não terhemorragia de privação e irá apresentar hemorragia de disrupção e spotting com autilização da segunda embalagem (tal como quando se atrasa um período menstrual).

4.3 Contra-indicações

Os contraceptivos orais combinados (COCs) não deverão ser utilizados na presença dequalquer das situações abaixo indicadas. Se uma destas situações surgir pela primeiravez durante a utilização de COC, esta deverá ser imediatamente interrompida.

? Presença ou antecedentes de acontecimentos trombóticos/tromboembólicos venososou arteriais (por ex. trombose venosa profunda, embolia pulmonar, enfarte domiocárdio) ou de um acidente vascular cerebral.
? Presença ou antecedentes de pródromos de uma trombose (por ex. acidenteisquémico transitório, angina de peito).
? Antecedentes de enxaqueca com sintomas neurológicos focais.

? Diabetes mellitus com envolvimento vascular.
? A presença de factores de risco graves ou múltiplos de trombose venosa ou arterialpode também constituir uma contra-indicação (ver “Advertências e precauçõesespeciais de utilização”).
? Pancreatite ou antecedentes associados com hipertrigliceridémia grave.
? Presença ou antecedentes de doença hepática grave desde que os valores da funçãohepática não tenham regressado ao normal.
? Presença ou antecedentes de tumores do fígado (benignos ou malignos).
? Conhecimento ou suspeita de malignidades influenciadas por esteróides sexuais (porex. dos órgãos genitais ou da mama).
? Hemorragia vaginal não diagnosticada.
? Conhecimento ou suspeita de gravidez.
Hipersensibilidade às substâncias activas ou a qualquer um dos excipientes.

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

Advertências

Se se verificar alguma das situações/factores de risco abaixo mencionados, deverãoponderar-se os benefícios da utilização de COC em relação aos possíveis riscos. Cadacaso deve ser considerado individualmente e ser discutido com a mulher antes de eladecidir sobre o início da utilização do contraceptivo. No caso de agravamento,exacerbação ou aparecimento pela primeira vez de alguma das seguintes situações oufactores de risco, a mulher deverá contactar o seu médico. Este decidirá então se autilização de COC deverá ser descontinuada.

Perturbações circulatórias

Estudos epidemiológicos têm sugerido uma associação entre a utilização de COCs eum risco aumentado de doenças trombóticas e tromboembólicas venosas e arteriaistais como enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, trombose venosa profundae embolia pulmonar. Estas situações ocorrem raramente.

O tromboembolismo venoso (TEV), manifestando-se como trombose venosa profundae/ou embolia pulmonar, pode ocorrer com a utilização de todos os COCs. O risco detromboembolismo venoso é maior durante o primeiro ano em que a mulher utiliza um
COC. A incidência aproximada de TEV em utilizadoras de contraceptivos orais combaixa dosagem em estrogénios (<0,05 mg etinilestradiol) é no máximo 4 por 10000mulheres ano comparando com 0,5-3 por 10000 mulheres ano em não utilizadoras decontraceptivos orais. A incidência de TEV associado à gravidez é 6 por 10000mulheres grávidas ano. Muito raramente, foi referida a ocorrência de trombose noutros vasos sanguíneos, porex., nas veias e artérias hepáticas, mesentéricas, renais, cerebrais ou da retina, emutilizadoras de COCs. Não existe qualquer consenso sobre a associação destesacontecimentos com a utilização de COCs. Os sintomas de acontecimentos trombóticos/tromboembólicos venosos ou arteriais oude um acidente vascular cerebral podem incluir: dor e/ou edema unilateral nas pernas; dor súbita e forte no peito, com ou sem irradiação para o braço esquerdo; dispneiasúbita; tosse súbita; qualquer cefaleia não habitual, forte, prolongada; perda súbita,parcial ou total, da visão; diplopia; articulação deficiente das palavras ou afasia;vertigem; colapso com ou sem convulsão focal; fraqueza ou parestesia muito marcadaque afecta subitamente um lado ou uma parte do corpo; perturbações motoras;abdómen "agudo". O risco de acontecimentos trombóticos/tromboembólicos venosos ou arteriais ou deum acidente vascular cerebral aumenta com: - idade; - tabagismo (com tabagismo acentuado e com o aumento da idade, especialmente emmulheres com mais de 35 anos de idade); - antecedentes familiares positivos (isto é, tromboembolismo venoso ou arterial numirmão ou progenitor em idade relativamente jovem). Se se suspeitar dumapredisposição hereditária, a mulher deverá recorrer a um especialista para aaconselhar antes de decidir sobre a utilização de qualquer COC; - obesidade (índice da massa corporal superior a 30 kg/m2); - dislipoproteinémia; - hipertensão; - enxaqueca; - doença valvular cardíaca; - fibrilhação auricular; - imobilização prolongada, grande cirurgia, qualquer cirurgia dos membros inferioresou traumatismo importante. Nestas situações é aconselhável descontinuar a utilizaçãode COC (no caso de cirurgia electiva pelo menos 4 semanas antes) e não recomeçaraté 2 semanas depois de completa remobilização. Não existe qualquer consenso acerca do possível papel das veias varicosas e datromboflebite superficial no tromboembolismo venoso. O risco aumentado de tromboembolismo no puerpério deve ser considerado (parainformação sobre "Gravidez e aleitamento" ver Secção 4.6). Outras situações clínicas que têm sido associadas a acontecimentos circulatóriosadversos incluem diabetes mellitus, lúpus eritematoso sistémico, síndrome hemolíticourémico, doença inflamatória crónica do intestino (doença de Crohn ou coliteulcerosa) e anemia das células falciformes. Um aumento da frequência ou da gravidade de enxaquecas durante a utilização de COCs (que pode ser um sinal prodrómico dum acontecimento vascular cerebral) podeser uma razão para imediata descontinuação do COC. Os factores bioquímicos que podem ser indicativos de predisposição hereditária ouadquirida para trombose venosa ou arterial incluem a resistência à Proteína C Activada (APC), hiperhomocisteinémia, deficiência de antitrombina-III, deficiênciade proteína C, deficiência de proteína S, anticorpos antifosfolipídicos (anticorposanticardiolipina, anticoagulante lúpico). Na avaliação da relação risco/benefício, o médico deve ter em conta que o tratamentoadequado de uma situação pode diminuir o risco associado de trombose e que o riscoassociado à gravidez é superior ao associado aos COCs de baixa dosagem (<0,05 mgetinilestradiol). Tumores O factor de risco mais importante para o cancro no colo do útero é a infecçãopersistente por papiloma vírus humano (HPV). Alguns estudos epidemiológicos têmindicado que a utilização prolongada de COCs poderá contribuir adicionalmente paraeste risco aumentado, mas continua a ser controverso o facto desta extensão poder seratribuída à interferência de outros efeitos, como por exemplo, rastreio do colo do útero e comportamento sexual, incluindo a utilização de contraceptivos de barreira. Uma meta-análise de 54 estudos epidemiológicos mostrou que existe um ligeiro riscorelativo aumentado (RR=1,24) de diagnóstico de cancro da mama em mulheresutilizadoras actuais de COCs. Este risco adicional desaparece gradualmente nodecurso de 10 anos depois da suspensão da utilização de COC. Uma vez que o cancroda mama é raro em mulheres com menos de 40 anos de idade, o número dediagnósticos adicionais de cancro da mama nas utilizadoras actuais ou recentes de COC é pequeno comparativamente ao risco global de cancro da mama. Estes estudosnão mostram uma relação causal. O padrão observado de risco aumentado poderáestar relacionado com um diagnóstico mais precoce de cancro da mama emutilizadoras de COCs, com os efeitos biológicos dos COCs ou com ambos. Os cancrosda mama nas mulheres utilizadoras de COCs tendem a ser menos avançadosclinicamente quando comparados com os cancros diagnosticados nas não utilizadoras. Em casos raros, foram referidos tumores hepáticos benignos e, ainda mais raramente,tumores hepáticos malignos em utilizadoras de COCs. Em casos isolados, estestumores têm ocasionado hemorragias intra-abdominais com risco de vida. Dever-se-áconsiderar a hipótese de um tumor hepático no diagnóstico diferencial quandoocorrerem dor abdominal aguda, hepatomegália ou sinais de hemorragia intra- abdominal em mulheres que estejam a tomar COCs. Outras situações Mulheres com hipertrigliceridémia ou com antecedentes familiares podem ter umrisco aumentado de pancreatite quando utilizam COCs. Embora tenham sido reportados aumentos ligeiros de pressão arterial em muitasmulheres a tomar COCs, aumentos clinicamente importantes são raros. No entanto, seocorrer hipertensão significativa sustentada clinicamente durante a utilização de um COC, então será prudente o médico suspender a utilização do COC e tratar ahipertensão. Quando considerado apropriado, a utilização do COC poderá serretomada desde que se atinjam os valores normais da pressão arterial com umaterapêutica antihipertensiva. Foi observada a ocorrência ou agravamento das seguintes situações durante autilização de COC e durante a gravidez, mas a evidência de uma associação com a utilização de COC é inconclusiva: icterícia e/ou prurido relacionados com colestase;litíase biliar; porfiria; lúpus eritematoso sistémico; síndrome hemolítico urémico;coreia de Sydenham; herpes gestacional; perda de audição relacionada comotosclerose. Em mulheres com angioedema hereditário, o uso de estrogénios exógenos podeinduzir ou exacerbar sintomas de angioedema. As perturbações agudas ou crónicas da função hepática podem requerer adescontinuação da utilização de COC até que os marcadores da função hepáticavoltem ao normal. A recorrência de icterícia colestática que ocorreu primeiro duranteuma gravidez ou uma utilização prévia de esteróides sexuais é um indicativo para adescontinuação de COCs. Embora os COCs possam ter um efeito sobre a resistência periférica à insulina etolerância à glucose, não existe evidência para a necessidade de alterar o regimeterapêutico em mulheres diabéticas que utilizem COCs de baixa dosagem (contendo <0,05 mg etinilestradiol). No entanto, mulheres diabéticas deverão sercuidadosamente vigiadas enquanto tomam COCs. A doença de Crohn e a colite ulcerosa têm sido associadas à utilização de COC. Ocasionalmente poderá surgir cloasma, especialmente em mulheres com antecedentesde cloasma gravídico. Mulheres com tendência para cloasma deverão evitar aexposição ao sol ou à radiação ultravioleta enquanto tomam COCs. Exame/consulta médica Deverá ser realizada uma completa história clínica e um exame físico da mulher antesde se iniciar ou reinstituir a utilização de um COC, com base nas contra-indicações (Secção 4.3) e advertências (Secção 4.4), os quais deverão ser repetidosperiodicamente. A avaliação médica periódica também é importante dado que ascontra-indicações (por ex. um acidente isquémico transitório, etc) ou factores de risco (por ex. um antecedente familiar de trombose venosa ou arterial) podem surgir pelaprimeira vez durante a utilização de um COC. A frequência e natureza destasavaliações deverão ser baseadas em directrizes de prática estabelecidas e devem seradaptadas a cada mulher, mas deverão incluir geralmente referências especiais àpressão arterial, mamas, órgãos abdominais e pélvicos, incluindo a citologia cervical. As mulheres deverão ser informadas que contraceptivos orais não protegem contra asinfecções por VIH (SIDA) ou outras doenças sexualmente transmissíveis. Eficácia reduzida A eficácia dos COCs pode estar reduzida com, por ex., o esquecimento decomprimidos (Secção 4.2), perturbações gastrointestinais (Secção 4.2) ou medicaçãoconcomitante (Secção 4.5). Redução do controlo do ciclo Com todos os COCs podem ocorrer hemorragias irregulares (spotting ou hemorragiade disrupção), particularmente nos primeiros meses de utilização. Portanto, aavaliação de qualquer hemorragia irregular só terá significado após um intervalo deadaptação de cerca de três ciclos. Se persistirem as irregularidades menstruais ou ocorrerem após ciclos anterioresregulares, então deverão considerar-se causas não hormonais e serem tomadasmedidas de diagnóstico adequadas de forma a excluir malignidade ou gravidez. Estaspoderão incluir curetagem. Em algumas mulheres, a hemorragia de privação poderá não ocorrer durante ointervalo sem toma de comprimidos. Se o COC tiver sido tomado de acordo com asorientações da Secção 4.2, é pouco provável que a mulher esteja grávida. No entanto,se o COC não tiver sido tomado de acordo com estas orientações antes da primeirafalta de hemorragia de privação ou se ocorrerem duas faltas de hemorragia deprivação, dever-se-á despistar uma gravidez, antes de continuar com a utilização de COC. Este medicamento contém lactose. Doentes com problemas hereditários raros deintolerância à galactose, deficiência de lactase ou malabsorção de glucose-galactosenão devem tomar este medicamento. Este medicamento contém sacarose. Doentes com problemas hereditários raros deintolerância à frutose, malabsorção de glucose-galactose ou insuficiência de sacarase- isomaltase não devem tomar este medicamento. 4.5 Interacções medicamentosas e outras formas de interacção Interacções Interacções medicamentosas entre contraceptivos orais e outros medicamentos podemoriginar uma hemorragia de disrupção e/ou falha contraceptiva. As seguintesinteracções têm sido reportadas na literatura. Metabolismo hepático: Podem ocorrer interacções com substâncias que induzem asenzimas microssomais o que pode resultar numa depuração aumentada de hormonassexuais (por ex. fenitoína, barbitúricos, primidona, carbamazepina, rifampicina, epossivelmente também oxcarbazepina, topiramato, felbamato, griseofluvina eprodutos contendo Erva de São João ou hipericão). Também a protease VIH (por ex. ritonavir) e inibidores não-nucleósidos datranscriptase reversa (por ex. nevirapina), e combinações dos dois, têm sidoreportados como afectando potencialmente o metabolismo hepático. Interferência com a circulação enterohepática: Alguns relatórios clínicos sugerem quea circulação enterohepática dos estrogénios pode diminuir quando certos agentesantibióticos são utilizados, o que pode reduzir as concentrações de etinilestradiol (porex. penicilinas, tetraciclinas). As mulheres em tratamento com qualquer uma destas substâncias devem utilizartemporariamente um método de barreira em adição ao COC ou escolher outro métodode contracepção. Com substâncias indutoras das enzimas microssomais, o método debarreira deve ser utilizado durante o tratamento com o medicamento concomitante enos 28 dias seguintes à sua descontinuação. As mulheres em tratamento comantibióticos (excepto rifampicina e griseofluvina) devem utilizar o método barreiranos 7 dias seguintes à descontinuação do tratamento. Se o período de utilização dométodo barreira ultrapassar o fim dos comprimidos no blister de COC, o blisterseguinte deve ser iniciado sem o habitual intervalo sem comprimidos.

Os contraceptivos orais podem afectar o metabolismo de outras substâncias. Destemodo, as concentrações no plasma e nos tecidos podem tanto ser aumentadas (por ex.ciclosporina) como diminuídas (por ex. lamotrigina).

Nota: A informação sobre prescrição de medicação concomitante deve ser avaliadapara identificar possíveis interacções.

Análises laboratoriais

A utilização de esteróides contraceptivos pode influenciar os resultados de certostestes laboratoriais, incluindo parâmetros bioquímicos do fígado, tiróide, funçãosupra-renal e renal, níveis plasmáticos das proteínas (de transporte), como por ex.globulinas de ligação aos corticosteróides, fracções lipídicas/lipoproteicas, parâmetrosde metabolismo dos hidratos de carbono e parâmetros de coagulação e fibrinólise. Asalterações geralmente mantêm-se dentro dos valores laboratoriais normais.

4.6 Gravidez e aleitamento

Gynera não está indicado durante a gravidez. Se durante a utilização de Gynera,ocorrer uma gravidez deve imediatamente interromper a sua toma. No entanto,estudos epidemiológicos alargados não revelaram um risco aumentado de defeitos emcrianças recém-nascidas cujas mães tomaram COCs antes da gravidez, nem efeitosteratogénicos quando os COCs foram tomados inadvertidamente durante o início dagravidez.

O aleitamento pode ser influenciado por COCs dado que estes podem reduzir aquantidade de leite produzido e alterar a sua composição. Deste modo, não deve sergeralmente recomendada a utilização de COCs durante a amamentação. Quantidadesreduzidas de esteróides contraceptivos e/ou dos seus metabolitos podem sereliminadas no leite, mas não existem evidências de que estas quantidades possamafectar adversamente a saúde da criança.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Não foram observados efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas.

4.8 Efeitos indesejáveis

Os efeitos indesejáveis mais graves associados à utilização de COCs estão listados na
Secção 4.4.

Outros efeitos indesejáveis que foram reportados em utilizadoras de COCs, mas paraos quais a associação não foi confirmada ou refutada são:

Classes de sistemas
Efeitos indesejáveis Efeitos indesejáveis Efeitos indesejáveis
de órgãos
frequentes (? 1/100) pouco frequentes (? raros (< 1/1000) 1/1000 e < 1/100) Afecções oculares Intolerância às lentesde contacto Doenças Náuseas, dor Vómitos, diarreia gastrointestinais abdominal Doenças do sistema Hipersensibilidade imunitário Exames Aumento de peso Diminuição do peso complementares dediagnóstico Doenças do Retenção de metabolismo e da líquidos nutrição Doenças do sistema Cefaleia Enxaqueca nervoso Perturbações do foro Depressão de Diminuição da Aumento da libido psiquiátrico humor, alteração de libidohumor Doenças dos órgãos Dor na mama, Hipertrofia da Corrimento vaginal, genitais e da mama tensão mamária mama corrimento mamário Afecções dos tecidos Rash, urticária Eritema nodoso, cutâneos e eritema multiforme subcutâneos * Estão listados os termos MedDRA (versão 7.0) mais apropriados para descreveruma determinada reacção adversa. Os sinónimos ou situações relacionadas não estãolistados, mas devem também ser tomados em consideração. Em mulheres com angioedema hereditário, o uso de estrogénios exógenos podeinduzir ou exacerbar sintomas de angioedema. 4.9 Sobredosagem Não foram reportados efeitos nocivos de sobredosagem. Os sintomas que podemocorrer neste caso são: náuseas, vómitos e, em mulheres jovens, hemorragias vaginaisligeiras. Não existem antídotos e o tratamento deve ser sintomático. 5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS 5.1 Propriedades farmacodinâmicas Grupo farmacoterapêutico: 8.5.1.2 - Hormonas e medicamentos usados no tratamentodas doenças endócrinas. Hormonas sexuais, Estrogénios e Progestagénios. Anticoncepcionais Classificação ATC: G03AA10 O efeito contraceptivo de COCs é baseado na interacção de vários factores, dos quaisos mais importantes são a inibição da ovulação e as alterações do muco cervical. Além da protecção contraceptiva, os COCs possuem bastantes propriedades positivasque, conjuntamente com as propriedades negativas (ver Advertências e precauçõesespeciais de utilização e Efeitos indesejáveis), podem ser úteis na decisão de escolhado método contraceptivo. O ciclo é mais regular e a menstruação é geralmente menosdolorosa e a hemorragia menor. Esta última pode resultar numa diminuição daocorrência de deficiência em ferro. Para além do referido, há evidências de um riscoreduzido de cancro do endométrio e cancro do ovário. Ainda, com os COCs deelevada dosagem (0,05 mg etinilestradiol), demonstrou-se uma redução da incidênciade quistos ováricos, doença pélvica inflamatória, doença benigna da mama e gravidezectópica. Ainda não foi confirmado se o mesmo se aplica aos COCs de baixadosagem. 5.2 Propriedades farmacocinéticas Gestodeno

Absorção
O gestodeno é completa e rapidamente absorvido quando administrado por via oral.
Concentrações séricas de pico de 4 ng/ml são atingidas cerca de 1 hora após ingestão
única. A biodisponibilidade é cerca de 99%.

Distribuição
O gestodeno encontra-se ligado à albumina sérica e à Globulina de Ligação às
Hormonas Sexuais (SHBG). Apenas 1 – 2% das concentrações séricas totais desubstância estão presentes como esteróide livre, 50 – 70% estão especificamenteligadas à SHBG. O aumento da indução pelo etinilestradiol na SHBG influencia aproporção de gestodeno ligado às proteínas séricas, causando um aumento da fracçãoligada à SHBG e uma diminuição da fracção ligada à albumina. O volume dedistribuição aparente do gestodeno é 0,7 l/kg.

Metabolismo
O gestodeno é completamente metabolizado pelas vias conhecidas de metabolizaçãode esteróides. A taxa de depuração sérica é de 0,8 ml/min/kg. A co-administração
única com etinilestradiol não revelou interacção directa.

Eliminação
Os níveis séricos de gestodeno diminuem em duas fases. A fase de eliminação final écaracterizada por uma semi-vida de cerca de 12 – 15 horas. O gestodeno não éeliminado sob formas inalteradas. Os metabolitos de gestodeno são eliminados a umarazão urinária/biliar de cerca de 6:4. A semi-vida de eliminação de metabolito é decerca de 1 dia.

Situações de estado estacionário
A farmacocinética de gestodeno é influenciada pelos níveis de SHBG, que aumentamcerca de três vezes quando co-administrado com etinilestradiol. Após ingestão diária,os níveis séricos de substância aumentam cerca de quatro vezes atingindo situações deestado estacionário durante a segunda metade de um ciclo de tratamento.

Etinilestradiol

Absorção
O etinilestradiol administrado oralmente é rápida e completamente absorvido.
Concentrações séricas de pico de cerca de 80 pg/ml são alcançadas dentro de 1 – 2horas. Durante a absorção e a primeira passagem pelo fígado, o etinilestradiol éextensivamente metabolizado, resultando numa biodisponibilidade média oral decerca de 45% com uma grande variação interindividual de cerca de 20 – 65%.

Distribuição
O etinilestradiol encontra-se fortemente, mas não especificamente, ligado à albuminasérica (aproximadamente 98%), e induz um aumento nas concentrações séricas de
SHBG. Um volume de distribuição aparente foi determinado como sendo cerca de 2,8
– 8,6 l/kg.

Metabolismo
O etinilestradiol está sujeito a conjugação pré-sistémica na mucosa do intestinodelgado e no fígado. O etinilestradiol é primeiro metabolizado por hidroxilaçãoaromática, mas uma vasta variedade de metabolitos hidroxilados e metilados sãoformados, e estes estão presentes como metabolitos livres e como conjugados comglucoronidos e sulfato. A taxa de depuração foi determinada como sendo cerca de 2,3
– 7 ml/min/kg.

Eliminação
Os níveis séricos de etinilestradiol decrescem em duas fases de eliminação,caracterizadas por semi-vidas de cerca de 1 hora e de cerca de 10 – 20 horas,respectivamente. Não há eliminação de substância inalterada, os metabolitos deetinilestradiol são eliminados numa razão urinária/biliar de 4:6. A semi-vida deeliminação de metabolito é de cerca de 1 dia.

Situações de estado estacionário
De acordo com a semi-vida variável da fase de eliminação sérica final e a ingestãodiária, os níveis séricos de etinilestradiol em estado estacionário são atingidos apóscerca de 1 semana.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Os dados pré-clínicos não revelaram risco especial para os humanos baseando-se emestudos convencionais de toxicidade de dose repetida, genotoxicidade, potencialcarcinogénico e toxicidade reprodutiva. Porém, há que ter em conta que os esteróidessexuais podem promover o crescimento de certos tumores e tecidoshormonodependentes.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1 Lista dos excipientes

Lactose mono-hidratada
Amido de milho
Povidona 25000
Edetato de cálcio e sódio
Estearato de magnésio
Sacarose
Povidona 700000
Macrogol 6000
Carbonato de cálcio
Talco
Cera montanglicol

6.2 Incompatibilidades

Nenhuma.

6.3 Prazo de validade

5 anos.

6.4 Precauções especiais de conservação

Não conservar acima de 25ºC.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

Os comprimidos revestidos de Gynera estão acondicionados em embalagem blister depelícula de PVC (cloreto de polivinilo) e folha de alumínio (com revestimento paraselagem a quente).

Cada blister contém 21 comprimidos revestidos.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6 Precauções especiais de eliminação

Não existem requisitos especiais.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Bayer Portugal, S.A.
Rua da Quinta do Pinheiro, n.º 5
2794-003 Carnaxide

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Nº de registo: 8689109 – 21 comprimidos, 0,03 mg + 0,075 mg, blister constituído por
PVC/Alumínio
Nº de registo: 8689117 – (3 x 21) 63 comprimidos, 0,03 mg + 0,075 mg, blistersconstituídos por PVC/Alumínio

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO
DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 14 de Outubro de 1988
Data da última renovação: 01 de Agosto de 2003


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