Daonil Glibenclamida caracteristica medicamento

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

1. NOME DO MEDICAMENTO

Daonil, 5mg, comprimidos

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada comprimido contém 5 mg de glibenclamida.

Excipientes:
Cada comprimido contém 79 mg de lactose mono-hidratada.

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1

3. FORMA FARMACÊUTICA

Comprimido

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 – Indicações terapêuticas

Diabetes mellitus não insulino-dependente (diabetes Tipo 2) quando a dieta, o exercíciofísico ou a redução de peso sejam por si só insuficientes.

4.2 – Posologia e modo de administração

A posologia é definida pelo nível desejado de glicémia. A dose de glibenclamida deve ser adose mínima eficaz.

O tratamento com glibenclamida deve ser iniciado e monitorizado por um médico. O doentedeve tomar glibenclamida na hora e na dose prescrita.

A omissão de uma dose nunca deve ser compensada com a toma subsequente de uma dosemaior. As medidas correctas para lidar com estas situações (omissão de uma toma ou deuma refeição ou tomas fora das horas habituais) devem ser antecipadamente discutidas eacordadas entre o médico e o doente. Se for detectada a toma de uma dose maior ou de umadose extra o médico deve ser notificado de imediato.

Dose inicial e ajuste de dose

A dose inicial habitual é de 1/2 comprimido de daonil. Recomenda-se que o tratamento sejainiciado com a menor dose possível, particularmente em doentes que são propensos ahipoglicémia (ver Advertências e Precauções especiais de utilização) ou que pesam menosde 50 kg.
Se necessário a dose diária pode ser aumentada. Recomenda-se um aumento gradual, comincrementos não superiores a 2,5 mg e com intervalos de uma a duas semanas e comcontrolo regular da glicémia.

Posologia em doentes com diabetes tipo 2, bem controlada

Dose única recomendada: A dose única habitual é de 2,5 mg a 10 mg de glibenclamida.
Uma dose única de 10 mg de glibenclamida não deve ser excedida.

Dose diária recomendada: A dose diária habitual é de 5 a 10 mg de glibenclamida. Não érecomendado ultrapassar uma dose diária total de 15 mg, uma vez que doses diáriassuperiores até 20 mg são mais eficazes apenas em casos excepcionais.

Distribuição das doses
O momento da administração e a distribuição das doses é decidido pelo médico de acordocom o estilo de vida do doente.
Normalmente uma única dose diária de daonil é suficiente.

É recomendado que as doses diárias até 2 comprimidos (10mg) sejam administradas antesdo pequeno-almoço ou da primeira refeição principal. Quaisquer porções restantes da dosediária total devem ser administradas antes da refeição da noite.

É muito importante não omitir refeições após a toma dos comprimidos.

Ajuste secundário da dose
Como a melhoria do controlo da diabetes está por si só associada ao aumento desensibilidade à insulina, a dose necessária de glibenclamida pode diminuir ao longo dotratamento. A dose também poderá ser corrigida nas seguintes situações:
-Alteração do peso do doente;
-Alteração do estilo de vida do doente
-Outros factores que causem maior susceptibilidade à hipoglicemia ou à hiperglicémia (versecção 4.4).

Mudança de outros antidiabéticos orais para a glibenclamida
Não existe qualquer relação entre a dosagem de glibenclamida e de outros antidiabéticosorais.Nos casos de substituição de outros antidiabéticos orais por daonil recomenda-seadoptar o esquema de posologia inicial, com doses iniciais diárias de 2,5 mg a 5 mg. Istoaplica-se mesmo no caso dos doentes que estiverem a ser tratados com a dose máxima deoutro antidiabético oral.

Deve ter-se em consideração a potência e a duração de acção do fármaco antidiabéticoanterior. Pode ser necessária uma pausa no tratamento para evitar a acumulação do efeito eassim o risco de hipoglicémia.

Modo de administração
Os comprimidos de daonil devem ser administrados inteiros com bastante líquido.

4.3 – Contra-indicações

Doentes com hipersensibilidade à glibenclamida ou a qualquer um dos excipientes;
Doentes com diabetes mellitus insulino-dependente (tipo 1) (por exemplo diabéticos comhistória de cetoacidose);
No tratamento da ceto-acidose diabética;
No tratamento do coma ou pré-coma diabético;
Doentes com insuficiência renal grave;
Doentes com insuficiência hepática grave;
Gravidez;
Aleitamento;
Em doentes tratados com bosentano (ver secção 4.5 ? Interacções medicamentosas e outrasformas de interacção).

4.4 – Advertências e precauções especiais de utilização

A observação da dieta prescrita, a prática de exercício físico regular e suficiente, a tomaregular dos comprimidos e se necessária a redução de peso corporal são da maiorimportância para garantir a eficiência do tratamento e evitar modificações indesejáveis dosníveis de glicémia.
A ingestão simultânea de álcool pode provocar uma indesejável potenciação da acçãohipoglicemiante de Daonil.

Durante o tratamento com daonil, deve-se determinar regularmente os níveis de glucose nosangue e na urina. Além disso é recomendável efectuar determinações regulares daproporção de hemoglobina glicosilada. O controlo dos níveis de glucose no sangue e naurina permite detectar falhas na terapêutica.

No início do tratamento o doente deve ser informado dos efeitos e dos riscos de daonil e dasua interacção com a dieta e o exercício físico. Também deve ser reforçada a importância daboa adesão do doente.

Os sintomas clínicos da hiperglicémia são aumento da frequência urinária, sede intensa,secura da boca e pele seca.

Tal como em qualquer tratamento com anti-diabéticos orais tanto o médico como o doentedevem estar alerta para episódios de hipoglicémia.
Os factores que influenciam a hipoglicémia são:

-falta de vontade (mais comum em doentes idosos)ou incapacidade de adesão à terapêutica
-carências alimentares, horário irregular das refeições ou omissão
-desequílibrio entre o esforço físico e a ingestão de hidratos de carbono
-alteração da dieta
-insuficiência renal e insuficiência hepática
-sobredosagem
-perturbações não compensadas do sistema endócrino que afectam o metabolismo dosglúcidos ou a contra regulação da hipoglicémia (como por exemplo em certas perturbaçõesda função tiroideia e na insuficiência pituitária anterior ou adrenocortical).
-administração concomitante de outros medicamentos (ver 4.5)
-tratamento com daonil sem indicação

O doente deve informar o médico destes factores ou sobre episódios de hipoglicémia., umavez que podem indicar a necessidade de uma monitorização mais cuidada.

Se tais factores de risco de hipoglicémia estão presentes, pode ser necessário ajustar adosagem/posologia de Daonil ou a terapêutica por inteiro. Isto também se aplica quandoocorre alguma doença durante o tratamento ou quando há alterações do estilo de vida dodoente.

Os sinais de alarme de uma crise hipoglicémica podem não surgir ou serem atenuadosquando a hipoglicémia se desenvolve gradualmente, quando existem neuropatias diabéticasou quando o doente está a ser tratado com bloqueadores beta, clonidina, reserpina,guanetidina ou outros medicamentos simpaticolíticos (ver secção 4.5 Interacçõesmedicamentosas e outras formas de interacção).
Os sintomas de hipoglicémia podem quase sempre corrigir-se com administração dehidratos de carbono (açúcar nas suas variadas formas, também em sumos de frutas ou cháaçucarado), mas não por adoçantes artificiais. Os doentes devem sempre ter consigo ummínimo de 20 g de glucose e podem necessitar de assistência nestas situações.

A hipoglicémia pode ser recorrente, logo os doentes devem ser monitorizadoscuidadosamente. Reacções hipoglicémicas graves ou prolongadas, que só podem sercontroladas temporariamente com quantidades usuais de açúcar, requerem tratamentomédico imediato e por vezes internamento hospitalar.
No caso de mudança de médico (p.ex. admissão num hospital após acidente, doença nasférias), o doente deve dizer que é diabético.

Em situações de stress excepcionais (por exemplo traumatismos, cirurgia, infecções febris),a regulação da glicémia pode detiorar-se e pode ser necessária uma mudança temporariapara insulina para manter um bom controlo metabólico.

Os indivíduos alérgicos a outros derivados das sulfonamidas podem desenvolver umareacção alérgica à glibencalmida.

Este medicamento contém lactose. Doentes com problemas hereditários raros deintolerância à galactose, deficiência de lactase ou malabsorção de glucose-galactose nãodevem tomar este medicamento.

O tratamento de doentes com deficiência de G6PD com sulfonilureias pode conduzir aanemia hemolítica. Uma vez que a glimepirida pertence à classe das sulfonilureias devemser tomadas precauções em doentes com deficiência de G6PD e deve ser considerada umaalternativa às sulfonilureias.

4.5 – Interacções medicamentosas e outras formas de interacção

O uso concomitante de certos fármacos e do álcool pode conduzir a uma indesejávelpotenciação ou atenuação do efeito hipoglicemiante do Daonil. Assim, não devem sertomados outros medicamentos sem aprovação ou prescrição do médico que tomará em contaas interacções possíveis.

Reacções hipoglicémicas devidas à potenciação da acção do Daonil podem ocorrer com aadministração simultânea das substâncias seguintes:

Ácido para-amino-salicílico
Azapropazona
Insulina
Esteróides anabolizantes e hormonas sexuais masculinas
Biguanidas
Bloqueadores beta
Ciclofosfamida
Cloranfenicol
Derivados cumarínicos
Disopiramida
Fenfluramina
Fenilbutazona
Feniramidol
Fibratos
Fluoxetina
Fosfamídios
Guanetidina
Inibidores ECA
Inibidores da MAO
Miconazol
Oxifenbutazona
Pentoxifilina (em doses elevadas por via parentérica)
Probenecid
Quinolonas
Reserpina
Salicilatos

Sulfinpirazona
Sulfonamidas
Tetraciclinas
Tritoqualina
Trofosfamida
Antidiabéticos orais
Claritromicina

A atenuação do efeito hipoglicemiante de Daonil com a consequente deterioração docontrolo da diabetes pode resultar do uso concomitante de:

Acetazolamida
Ácido nicotínico (doses elevadas)
Barbitúricos
Corticosteroides
Derivados da fenotiazina
Diazoxide
Diuréticos
Estrogéneos e progestagéneos
Fenitoína
Glucagon
Hormonas da tiróide
Rifampicina
Adrenalina (epinefrina) e outros Simpaticomiméticos
Laxantes (após uso prolongado)

Sob tratamento com medicamentos simpaticolíticos tais como bloqueadores beta, ou comclonidina, guanetidina ou reserpina a percepção dos sinais do alarme duma crisehipoglicémica pode estar diminuída ou ausente. Em casos raros, tem sido observada umaindesejável potenciação ou atenuação do efeito hipoglicemiante de Daonil durante amedicação concomitante com antagonistas dos receptores H2, clonidina ou reserpina.

O consumo de álcool, quer agudo quer crónico, pode potenciar ou diminuir a acçãohipoglicemiante do Daonil. A glibenclamida tanto pode potenciar como diminuir o efeitodos derivados cumarínicos.

A glibenclamida pode aumentar a concentração plasmática da ciclosporina e conduzirpotencialmente ao aumento da sua toxicidade. Recomenda-se a monitorização e o ajuste dedose da ciclosporina quando ambos os medicamentos são administrados em simultâneo.
Bosentano:

Foi relatado um aumento da incidência de elevação das enzimas hepáticas em doentes aquem foi administrada glibenclamida concomitantemente com bosentano.

Tanto a glibenclamida como o bosentano inibem a bomba salina de libertação de bílis,conduzindo a uma acumulação intracelular citotóxica de sais biliares. Por isso mesmo estaassociação não deve ser utilizada.

4.6 – Gravidez e aleitamento

Daonil não deve ser tomado durante a gravidez, pelo que a doente terá de alterar a suaterapêutica para insulina durante este período.

As doentes que planeiam engravidar devem informar o seu médico assistente. Recomenda-
se que as doentes em causa alterem a sua terapêutica para insulina.

De forma a prevenir uma possível ingestão de Daonil conjuntamente com o leite materno,este medicamento não deve ser administrado a mulheres a amamentar. Se necessário, oaleitamento deve ser interrompido, ou a terapêutica da doente alterada para insulina.

4.7 – Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

As reacções de alerta e a capacidade de atenção podem ser afectadas por episódios de hipoou hiperglicémia, especialmente no início do tratamento, quando há alteração da terapêuticaou aquando da toma irregular do medicamento. Esta situação pode afectar a capacidade deconduzir e utilizar máquinas.

4.8 – Efeitos indesejáveis

Doenças do metabolismo e da nutrição
Poderá ocorrer hipoglicémia, por vezes prolongada e até com perigo de vida decorrente daacção de Daonil na diminuição dos níveis sanguíneos de glucose. Tal pode acontecerquando existe um desequilíbrio entre a dosagem de Daonil e a ingestão de hidratos decarbono (dieta), exercício físico e outros factores com impacto no metabolismo.

Os sintomas possíveis de hipoglicemia incluem cefaleias, fome voraz, náuseas, vómitos,lassidão, sonolência, alterações do sono, inquietude, agressividade, dificuldades deconcentração, estado de alerta, depressão, confusão, alterações da fala, afasia, alteraçõesvisuais, tremor, paresias, alterações sensoriais, tonturas, falta de autonomia, perda de auto-
controlo, delírio, convulsões cerebrais, sonolência e perda de consciência incluindo coma,respiração pouco profunda e bradicardia.

Para além disso, podem estar presentes sinais de contra-regulação adrenérgica, tais comosuores, pele húmida, ansiedade, taquicardia, hipertensão, palpitações, angina pectoris earritmias cardíacas.

O quadro clínico de um episódio hipoglicémico grave pode ser semelhante ao de um enfarte.

Os sintomas de hipoglicemia são quase sempre reversíveis logo após a correcção dahipoglicemia.

Afecções oculares
No início do tratamento podem ocorrer transtornos visuais temporários, devido à alteraçãodos níveis séricos de glucose. A causa deve-se a uma alteração temporária na turgescência, econsequentemente no índice refractário da lente ocular, que é dependente dos níveis séricosde glucose.

Doenças gastrointestinais
Em raras ocasiões têm-se verificado reacções adversas afectando o tracto gastrintestinal, taiscomo náuseas, vómitos, sensação de enfartamento ou peso gástrico, dor abdominal ediarreia. Com a continuação do tratamento frequentemente estes sintomas diminuem enormalmente não há necessidade de descontinuação do tratamento.

Em casos isolados pode ocorrer hepatite, aumento dos níveis enzimáticos hepáticos e/oucolestase e icterícia que podem progredir para uma insuficiência hepática potencialmentefatal, mas pode regredir após interrupção do tratamento com Daonil.

Doenças do sangue e do sistema linfático
Poderão ocorrer alterações hematológicas potencialmente fatais. Alterações do sistemahematopoiético como, por exemplo, diminuição ligeira a grave do número de plaquetas -trombopenia ligeira a grave (por exemplo na forma de púrpura),eritrócitos e leucócitospodendo conduzir a deplecção grave de granulócitos (agranulocitose) ou depressão de todosos elementos celulares do sangue (pancitopénia) têm ocorrido em casos isolados assim comouma destruição acelerada dos eritrócitos (anemia hemolítica). Em princípio, estas reacçõessão reversíveis após a descontinuação de Daonil.

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Ocasionalmente podem ocorrer reacções de hipersensibilidade, por exemplo na forma deprurido ou erupções. Em casos isolados, reacções ligeiras sob a forma de urticária podemevoluir para reacções graves ou mesmo potencialmente fatais com dispneia e hipotensão quepor vezes progridem até ao choque. Deve-se informar o médico no caso de ocorrer urticária.

Em casos isolados pode ocorrer vasculite alérgica e em algumas circunstâncias constituirrisco de vida.

Em casos isolados pode verificar-se uma diminuição da concentração sérica de sódio.

Reacções de hipersensibilidade envolvendo em geral a pele, incluindo a fotossensibilidade,ocorrem em casos isolados.

É possível uma alergia cruzada com as sulfonamidas ou derivados.

4.9 – Sobredosagem

1) Sintomas
A sobredosagem aguda bem como o tratamento continuado com uma dose excessiva domedicamento pode conduzir a uma hipoglicémia grave, prolongada e potencialmente fatal.
2) Tratamento

Logo que seja detectada uma sobredosagem de glibencalmida, deve-se notificar de imediatoum médico. O doente deve ingerir açúcar de imediato, se possível na forma de glucose,salvo se o médico já esteja ao correr da situação.

É essencial que se efectue uma monitorização completa do doente até que o médicoconfirme que o mesmo se encontra fora de perigo.

Não deve ser esquecido que após a recuperação inicial, a hipoglicemia e os seus sinaispoderão ser recorrentes.

Poderá ser eventualmente necessário internamento hospitalar ? mesmo como medida deprecaução. Em particular no caso de emergências médicas devido a sobredosagenssignificativas, com reacções e sinais graves, tais como perda de consciência e outrasalterações neurológicas sérias que requerem tratamento imediato e admissão hospitalar.

Quando a hipoglicémia se acompanhar de inconsciência deve ser administrado glucagon
(0,5 – 1 mg) i.v., i.m. ou s.c. ou 40 – 100 ml i.v. de soluto de glucose e 20%.
Em particular, no caso de tratamento de hipoglicemia em crianças ou bebés, a dose deglucose administrada deverá sofrer um ajuste posológico rigoroso, com monitorizaçãoapertada dos níveis séricos de glucose, em virtude da possibilidade de ocorrência de umahiperglicémia perigosa.

Os doentes que ingeriram quantidades de Daonil/Semi-Daonil que possam pôr a sua vida emrisco necessitam efectuar uma desintoxicação (por exemplo através de lavagem gástrica e decarvão medicinal activado).

Após se ter efectuado a reposição aguda de glucose é, normalmente, necessário efectuar-seuma perfusão intravenosa de uma solução de glucose de baixa concentração, de forma agarantir que não existe recorrência do episódio hipoglicémico. Os níveis sanguíneos deglucose do doente devem ser cuidadosamente monitorizados durante um período de pelomenos 24 horas. Em casos graves, com curso clínico prolongado a tendência à hipoglicémiapoderá persistir durante vários dias.

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 – Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: 8.4.2 Hormonas e medicamentos usados no tratamento dasdoenças endócrinas. Insulinas, antidiabéticos orais e glucagom. Antidiabéticos orais
Código ATC: A10BB01

Tanto em indivíduos saudáveis como em doentes diabéticos não insulino dependentes (Tipo
2), a glibenclamida diminui os níveis séricos de glucose, através da estimulação dalibertação de insulina pelas células ?-pancreáticas. O efeito hipoglicemiante traduz-se numainsuficiência no metabolismo dos hidratos de carbono. Os efeitos betazitotrópos no pâncreasintensificam a secreção de insulina e baixam o limiar de estímulo da glucose das células betaaumentando assim a sua resposta à glucose.

Os efeitos extrapancreáticos aumentam a ligação à insulina e a sensibilidade do local doefeito.

Após a administração de uma dose única pela manhã, o efeito na diminuição dos níveis deglucose sanguíneos permanece detectável durante aproximadamente 24 horas.

No caso de terapêutica prolongada, o efeito hipoglicémico da glibenclamida persiste,enquanto os níveis de insulina retornam aos valores normais.

A glibenclamida possui uma acção diurética moderada e aumenta a depuração plasmática de
água.

5.2 – Propriedades farmacocinéticas

A glibenclamida é rápida e quase totalmente absorvida após administração por via oral.
A biodisponibilidade de glibenclamida comprimidos é aproximadamente da ordem dos
100%. As concentrações plasmáticas máximas são alcançadas após 1 a 2 horas e são daordem, dos 100 ng/ml após a administração de 1.75 mg de glibenclamida. Após 8 a 10horas, a concentração plasmática diminui para valores da ordem dos 5 a 10 ng/ml ?dependendo da dose administrada.

A absorção de glibenclamida não é afectada pela ingestão de comida de forma significativa.

A semi-vida plasmática de glibenclamida é, após, administração intravenosa deaproximadamente 2 horas. Após administração oral é de 2 a 5 horas, apesar de algunsestudos sugerirem que em doentes sofrendo de diabetes mellitus o tempo de semi-vidapoderá estar aumentado e situar-se entre as 8 e 10 horas. Não existe acumulação.
A ligação de glibenclamida às proteínas é superior a 98%, in vitro, esta ligação épredominantemente não iónica. A glibenclamida é completamente metabolizada no fígado.
O metabolito principal é a 4-trans-hidroxiglibenclamida; outro metabolito é a 3-cis-
hidroxiglibenclamida. Os metabolitos da glibenclamida têm alguma contribuição nadiminuição dos níveis sanguíneos da glucose.
A eliminação verifica-se em partes iguais pela vesícula biliar e pelo rim. A eliminação totaltem lugar após 45 a 72 horas.

Existe um aumento da excreção de metabolitos na bílis no caso de doentes com insuficiênciarenal, sendo que o aumento é dependente da gravidade da insuficiência renal em causa.
Apenas quantidades mínimas de glibenclamida atravessam a placenta. À semelhança deoutras sulfonilureias, provavelmente a glibenclamida é excretada no leite materno.

5.3 – Dados de segurança pré-clínica

Toxicidade aguda

DL50 para adminsitração oral:

Ratinho: > 15 g/Kg de peso corporal
Rato: > 15 g/Kg de peso corporal
Cobaio: > 15 g/Kg de peso corporal
Coelho: > 10 g/ Kg de peso corporal
Cão: > 10 g/Kg de peso corporal

DL50 para injecção intraperitoneal:

Rato: 6.3 a 8.4 g/Kg de peso corporal.

Toxicidade crónica

Foram toleradas sem sinais de toxicidade doses orais diárias de 11 mg/Kg de peso corporal
(200 ppm) em ratos e 20 mg/Kg de peso corporal durante 18 meses em cães.

Carcinogenicidade

Um estudo de oncogenicidade efectuado em ratinhos com administração de doses até 3000mg/Kg de peso corporal por dia durante 2 anos não revelou qualquer indicação depromoção ou indução de carcinogenicidade.

Mutagenicidade

Um estudo de mutagenicidade no teste microssomal em Salmonella (teste de Ames) nãofornece qualquer indicação de mutagenicidade. Este facto é confirmado também por umnúmero de investigações adicionais referentes à mutagenicidade descritos na literatura.

Toxicidade reprodutiva

Os estudos de teratogenicidade em ratos e coelhos não forneceram indicações de quaisquerefeitos teratogénicos associados à glibenclamida. No entanto, após a administração de dosesmuito elevadas durante a fase de organogénese (100 vezes superior a dose terapêuticamáxima), observaram-se lesões embriotóxicas (malformações oculares). Tais lesões podemser interpretadas como uma consequência da baixa excessiva dos níveis sanguíneos de

glucose, podendo também ser decorrentes de uma hipoglicemia induzida pela insulina. Apósa administração em ratos de doses muito elevadas de glibenclamida durante o período degestação e aleitamento, foram descritas deformações nos ossos longos dos membros dascrias. Estas alterações foram classificadas como efeitos peri e/ou pós-natais.

Quando foram administradas doses excessivas a coelhos, a ocorrência de morte fetal intra-
uterina foi mais frequente do que nos controlos, tendo-se verificado a ocorrência de aborto.

Após a administração a ratos e ratinhos de doses extremamente elevadas, os resultadosrelativos ao aumento da incidência de morte embriofetal intra-uterina foram contraditórios.

Observaram-se malformações em crianças filhas de mulheres tratadas com glibenclamidadurante a gravidez. Uma eventual relação causal com a glibenclamida não pode ser excluída.
Neste contexto, deve ser salientado que se sabe que na diabetes mal controlada,independentemente do tipo de medicação a que os doentes se encontram sujeitos, aincidência de mal-formações é superior.

Exames teratológicos em ratos e coelhos não evidenciaram qualquer indício de efeitosembriotóxicos para além da acção hipoglicémica em fase sensível da organogénese.
Doses excessivas provocam em coelhos a morte intra-uterina mais frequente de fetos do queno grupo de controlo ou um ligeiro aumento do número de reabsorções. Este último factotambém observado em ratos e ratinhos com doses iguais a 25 000 vezes a dosefarmacológica eficaz.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1 – Lista dos excipientes

Lactose mono hidratada, amido de milho, amido de milho pregelatinizado, talco, estearatode magnésio e sílica coloidal anidra.

6.2 – Incompatibilidades

Não aplicável

6.3 – Prazo de validade

3 anos

6.4 – Precauções especiais de conservação

Não conservar acima de 25ºC.

6.5 – Natureza e conteúdo do recipiente

Blisteres em PVC/Alu em embalagens com 60 comprimidos.

6.6 – Precauções especiais de eliminação

Não existem requisitos especiais.

 7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Sanofi-Aventis – Produtos Farmacêuticos, S.A.
Empreendimento Lagoas Park – Edifício 7 – 3º
2740-244 Porto Salvo

8. NÚMEROS DE AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Nº de registo: 8270173 – 60 comprimidos, 5 mg, blister PVC/Alu

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE
INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 10 de Novembro de 1970
Data de revisão: 04 de Novembro de 2003

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO


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