Como enfrentar uma situação de perigo em terra e no mar

Numa situação de perigo que possa pôr em risco a sua sobrevivência, a primeira medida é abrigar-se do frio, calor, vento ou chuva para que possa pensar com calma e discernimento nas acções e empreender.
Em qualquer caso, são quatro as prioridades imediatas. Por ordem de importância: abrigo, sinais de socorro, água e alimentos.
Quanto aos sinais de socorro, utilize o que tiver à mão para esse fim. Espalhe roupas de cores vivas que chamem a atenção. Acenda uma fogueira — V. FOGUEIRAS. Se tiver um apito, faça o sinal de socorro internacionalmente reconhecido: apite seis vezes num minuto, interrompa um minuto, volte a apitar seis vezes, e assim por diante — v. COMO PEDIR SOCORRO. Utilize um espelho ou qualquer outro objecto com uma superfície reflectora, como a tampa de uma lata, para reflectir a luz do Sol durante o dia e à noite faça sinais com unia lanterna.
Lembre-se de que pode evitar riscos desnecessários se antes de partir para um passeio em zonas isoladas ou para o mar se certificar de que está bem equipado — V. CAMPISMO; MONTANHISMO EM SEGURANÇA; MERGULHO COM APARELHO AUTÓNOMO; VELA.
Em terra
Abrigo:
Um automóvel poderá ser utilizado como abrigo temporário durante um nevão (v. RETIDO NA NEVE), bem como para se abrigar do sol no deserto.
Se se deslocar a pé, procure abrigar–se, sempre que possível, em grutas.
Se se encontrar no meio da neve e o mau tempo ou o cair da noite o impedirem de prosseguir, faça um abrigo escavando-o na neve. Sonde a profundidade da neve: com 1,50-1,80 m, poderá fazer um bom abrigo. Escave um túnel de cerca de 60 cm, tape a abertura com ramos e neve bem calcada e abra um buraco com um pau para ventilação. Se possível, sente-se sobre ramos e folhas ou sobre um plástico para evitar ficar molhado. Mantenha-se tão quente quanto possível, mexa os dedos dos pés e das mãos e permaneça sempre acordado.

Água e alimentos:

Num deserto, a DESIDRATAÇÃO é o maior problema, de modo que se torna essencial proteger-se do sol, especialmente durante o calor tórrido do dia. Se se deslocar a pé, cubra a cabeça, por exemplo, com um chapéu e lenço pendente atrás. Quer a pé, quer de automóvel, desloque-se sempre de manhã muito cedo ou ao fim da tarde para evitar golpes de calor.
Um adulto à sombra pode resistir bebendo cerca de 2 1 de água por dia; mas deve evitar beber durante as horas de maior calor, pois pode provocar um excesso de transpiração, com a consequente perda de sais do organismo. Se tiver pouca água, racione-a. Somente poderá sobreviver alguns dias sem água e cerca de quatro semanas sem comida.
Pode obter água construindo um destilador solar ou um colector de orvalho — para tal, precisará de um saco de plástico grande ou um cobertor de folha de alumínio. Ambos podem dobrar-se bem e transportar-se sem ocupar demasiado espaço. Faça o colector de orvalho para captar água durante a noite e o destilador solar para a captar durante o dia.

Colector para captar o orvalho:

Estenda uma folha de plástico ou o cobertor sobre uma cova larga e pouco profunda e coloque pedras lisas, limpas e polidas no centro. Durante a noite, o orvalho condensar-se-á sobre as pedras. Recolha a água antes de o Sol nascer para evitar que se evapore.
Destilador solar. Abra uma cova com pelo menos 1 m de largura e 60 cm de profundidade e coloque uma lata limpa ou qualquer outro recipiente de boca no centro da cova. Coloque folhas ou arbustos no fundo da cova para obter maior quantidade de água.
Cubra a cova com um plástico e prenda-o nas bordas com pedras ou quaisquer outros objectos pesados. Coloque uma pedra no centro do plástico — de modo que o ponto mais baixo fique por cima da lata, mas sem lhe tocar. A humidade que se condensou acumular-se-á na parte inferior do plástico e pingará para dentro da lata. Um destilador bem construído pode recolher até 2 1 de água por dia.
Só deve alimentar-se de plantas que não conheça quando o risco de adoecer for suplantado pelo de morrer à fome. Experimente apenas uma planta de cada vez, colocando um pequeno pedaço na sua língua. Aguarde quatro ou cinco minutos. Se sentir picar, ardor ou um gosto a podre, deite fora a planta.
Se não sentir nenhuma destas sensações, mastigue e engula um pedaço do tamanho de um rebuçado. Espere duas horas. Se não sentir efeitos, a planta é provavelmente boa para comer. Se possível, coza a planta testada e deite fora a água da cozedura.

No mar:
Ao praticar VELA ou qualquer outra actividade aquática, obedeça a todas as precauções de segurança recomendadas — tais como vestir roupa adequada e usar sempre um colete de salvação. Se ficar em dificuldades num barco ou numa prancha à vela ou de surf, nunca abandone a embarcação ou a prancha, a não ser que se esteja a afundar ou que o facto de se manter a bordo se torne muito perigoso se, por exemplo, o barco estiver a arder. Muitos barcos têm uma reserva de flutuabilidade que lhes permite ficarem a boiar à tona de água mesmo que tenham um rombo.
Tente fazer sinais de pedido de socorro. Se possível, vista roupa quente para combater o efeito da água fria. Se estiver num barco ou numa jangada de salvamento, não dispa as roupas molhadas — elas ajudá-lo-ão a proteger-se contra a perda de calor do corpo. Tente ficar o mais próximo possível dos destroços para auxiliar os salvadores a localizá-lo; utilize uma âncora flutuante se o barco a possuir. O enjoo enfraquece rapidamente o corpo, portanto tome comprimidos contra o enjoo, se os tiver.

Se for forçado a abandonar o barco, salte para o lado contra o vento (barlavento), de modo que o barco não se vire para cima de si. Nade para longe de uma embarcação que se esteja a afundar, pois esta poderá arrastá-lo no turbilhão.
Não tente nadar para terra, a não ser que esta esteja muito próxima: mantenha-se no barco de salvamento ou agarre-se bem a quaisquer destroços da embarcação, mantendo a maior porção possível do seu corpo fora de água para reduzir a perda de calor.
Se não existir nada a que possa agarrar-se, encoste os joelhos ao peito, o que conservará ainda mais o calor, e conte com o seu colete de salvação para o manter a flutuar. Se estiver entre outros sobreviventes, juntem-se todos para melhor se aquecerem e aumentarem as possibilidades de serem localiza¬dos pelas equipas de salvamento.
Se estiver à deriva num pequeno barco, envie sistematicamente sinais de socorro (v. SOCORRO, COMO PEDIR), proteja-se o máximo que puder da radiação solar e conserve os fornecimentos de água. Evite beber água do mar, pois o seu conteúdo em sal (três vezes superior ao que o corpo pode tolerar) é potencialmente mortal.
Recolha ioda a água da chuva num recipiente ou plástico; toda a água que durante a noite se condensar nas superfícies mais frias da embarcação deverá ser apanhada com um pano limpo e seco antes que se evapore; esprema imediatamente a água para dentro de um recipiente.
Se a embarcação não estiver a ser batida e salpicada com água salgada, o que iria contaminar toda a humidade, poderá arranjar uma superfície de condensação para apanhar o orvalho (v. atrás).
Equipamento de sobrevivência. Este equipamento não é dispendioso e quase todos os materiais necessários são usa¬dos no dia-a-dia. Leve sempre consigo um estojo de PRIMEIROS SOCORROS e medicamentos específicos para o local em que viaja, tais como cremes de protecção solar (v. QUEIMADURA SOLAR), repelentes de insectos, laxantes, anti-diarreicos e comprimidos contra o enjoo, se viajar no mar.
Segue-se uma lista dos materiais que deverão fazer parte de um equipamento básico de sobrevivência:
• Lata vazia com tampa — para utilizar como recipiente ou como utensílio de cozinha. A tampa pode servir de espelho para fazer sinais.
• Cobertor de folha de alumínio — para agasalho, abrigo ou para fazer um colector de orvalho.
• Saco de plástico grande e transparente — para improvisar um abrigo (v. TENDA IMPROVISADA), servir de resguardo (podendo deitar-se em cima) ou fazer um destilador solar.
• Apito, lanterna — para fazer sinais.
• Canivete — para cortar, abrir latas e cozinhar.
• Permanganato de potássio — para purificar água e fazer lume.
• Fósforos à prova de água — para fazer lume.
• Corda de nylon — para reparações, atar ou prender.
• Bússola — para orientação.
Para além destes materiais em terra ou no mar, deverá levar consigo um pequeno radiotransmissor. um cantil com água e uma provisão de alimentos concentrados de fruta ou de carne e chocolates.


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