Como fazer tapetes de lã

Como fazer tapetes de lã – tapetes de nós

Os tapetes, passadeiras e tapeçarias de nós dão muito conforto à casa; são bonitos, resistentes e conferem um toque de originalidade à decoração.

Este tipo de trabalho é fácil de executar. Não são necessários instrumentos complicados – por exemplo, um tear – para criar estes produtos maravilhosos de uma arte antiga com origem no Oriente. E, o que é talvez ainda mais importante, também não são necessários grandes conhecimentos de trabalhos manuais.

O único instrumento necessário para fazer os tapetes de lã ou tapetes de nós é uma pequena agulha de tapeçaria própria para fazer os nós, que se pode comprar numa boa retrosaria. Com a ajuda desta agulha, a confecção dos nós com a lã de tapete sobre o material utilizado para fundo é mais fácil. Todo o outro material necessário para fazer o trabalho pode ser preparado em casa, o que torna tudo mais barato. Se não se quiser trabalhar por modelos já feitos, concebidos por outra pessoa e à venda no comércio, e que portanto são todos iguais, mas se preferir aplicar desenhos criados por nós, o trabalho torna-se ainda mais interessante.

Com um pouco de imaginação podemos desenhar belos motivos com características muito próprias.

Material e instrumentos para fazer os tapetes de lã

A agulha utilizada, que permite fazer os nós com toda a facilidade, assim como o tecido do fundo, uma tela de rede larga (tela de Esmirna), vendem-se nas boas retrosarias.

Esta tela do fundo é fabricada com diferentes larguras, que vão dos 40 cm aos 2 m. É uma tela de algodão forte de rede larga, com buracos, quadrados de cerca de 1 cm. Também existe à venda num material sintético. Mete-se um fio de lã em cada um destes buracos e faz-se um nó sobre um fio horizontal da tela. Obtém-se assim uma densidade de 100 nós para um decímetro quadrado.

Utiliza-se para os nós lã para tapete, a chamada lã de Esmirna, em meada ou já cortada, mas neste último caso a espessura do tapete depende sempre do comprimento dos fios. Aconselhamos pois, que se use de preferência a lã em meadas. Dessa maneira os fios podem ser cortados com o comprimento necessário para que o pêlo do tapete fique com a altura que se desejar. Há lã de tapete em duas grossuras diferentes, que podem ambas ser usadas na confecção destes tapetes.

Também se pode aproveitar restos de lãs ou de fios de tricô ou croché para fazer os nós. Nesse caso, pode ser preciso trabalhar com dois ou quatro fios. Um outro material que se presta muito para fazer estes tapetes são os tecidos de malha de algodão. As camisolas de lã velhas também poderão ser aproveitadas – cortam-se em tiras de 15 mm de largura, no sentido da malha. Com 100 g de lã de tapete podem fazer-se cerca de 500 cm2, ou seja, aproximadamente uma tira de 5 cm de largura por 1 m de comprimento, embora isso também dependa da altura do pêlo do tapete.

As peças confeccionadas por este processo são muito resistentes, mantêm-se bonitas durante muitos anos e não perdem a cor. Para as limpar sacodem-se e batem-se bem.

Preparação do fio para fazer os tapetes de lã

Quando se compra a lã de tapete em meadas ou se pretende usar restos de lã, fios de algodão ou misturas de fibras naturais e sintéticas tem de se começar por cortar o fio em bocados pequenos. Mas para os fios ficarem com o comprimento suficiente e, mais importante, todos com o mesmo comprimento, confecciona-se primeiro um pequeno instrumento auxiliar: corta-se num pau de vassoura um bocado com 30 cm de comprimento ou arranja-se um cilindro de madeira com este comprimento e um diâmetro semelhante e abre-se uma ranhura a todo o comprimento com a ajuda de um canivete e de uma lima; a ranhura deve ter 4 mm de profundidade e ficar bem direita. Enrola-se o fio em espiral apertada em volta deste pau cilíndrico, recobrindo de fio 10 a 20 cm do comprimento do pau. Cortam-se depois os fios com a tesoura, metendo-a na ranhura. Obtemos assim uma mão cheia de fios de cerca de 6 a 7 cm de comprimento. Podemos usar para este efeito uma régua de madeira ou uma tira de cartão grosso. Enrola-se o fio na régua ou na tira de cartão da mesma maneira e corta-se com a tesoura ao longo da parte de cima.

Guardam-se os fios cortados em saquinhos de plástico transparente, separando-os por cores. Assim, o material é identificado sem ser preciso retirá-lo do respectivo saco. Os fios mais finos têm de ser trabalhados dois a dois ou quatro a quatro. Mas, nesse caso, podem misturar-se para o mesmo nó fios de várias cores, o que proporciona possibilidades interessantes, especialmente quando se deseja preencher superfícies grandes de cor uniforme. Mistura-se, por exemplo, uma cor mais escura com três tons mais claros da mesma cor ou vice-versa, ou dois fios de cada cor. Com a lã assim preparada, pode-se deitar mãos à obra.

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Como fazer O nó

Depois de se ter cortado uma tela do tamanho desejado, estende-se sobre uma mesa e começa-se por se embainhar com uma agulha e uma linha os lados por onde se cortou a tela, dobrando-os primeiro duas vezes, para a tela não desfiar. Só depois de o tapete estar pronto é que se rematam as orlas com fio de lã de uma cor a condizer, para fazer um remate de rolinho.

Começam-se os nós pela fila de quadrados de baixo, a toda a largura da tela e da esquerda para a direita.

O ponto de nó é também designado pelo nome de nó de Ermirna ou nó turco. Mete-se a agulha com a mão direita por debaixo do fio horizontal da tela (de cada quadrado) e puxa-se novamente para cima. Segura-se entretanto o fio de lã com a mão esquerda, dobrando-o ao meio, e empurra-se para baixo. Em seguida apanham-se com o gancho da agulha as duas pontas do fio, e metem-se por dentro da argola de fio, puxando para dar o nó.

É assim que se faz o nó de Esmirna que, como podem ver, é muito simples. Quando se tem alguma prática o trabalho avança depressa.

O nó de Esmirna feito com uma agulha de coser

Podem fazer-se os tapetes de nós sobre fundos de outros tecidos que não a tela de Esmirna, mas têm de ser tecidos grossos como juta, serapilheira, telas, etc. Quando se trabalha nestes tecidos o nó de Esmirna faz-se com uma agulha de costura.

Depois de se ter feito e puxado o primeiro nó, coloca-se horizontalmente sobre o tecido um pauzinho cilíndrico bem liso, mais ou menos do comprimento e da espessura de um lápis, e fazem-se os nós de Esmirna todos de seguida à volta desse pauzinho. Quando o pauzinho está completamente coberto de nós, tira-se e cortam-se as argolas de fio. O comprimento do pêlo do tapete depende da espessura do pauzinho cilíndrico e é semelhante ao dos tapetes feitos com a agulha de tapeçaria. Mas quando se trabalha com a agulha de coser num fundo de tecido mais fechado do que a tela de Esmirna, ainda se tem outra possibilidade: não só se pode escolher à vontade a altura do pêlo do tapete, que depende da espessura do pauzinho de madeira, como também a densidade do pêlo, que é constante na tela de Esmirna. Pode-se, por exemplo, fazer o nó sempre em dois fios da urdidura do tecido do fundo ou em quatro fios, consoante a qualidade do tecido e o resultado que se pretende. Depois de se ter acabado uma fila horizontal de nós, pode-se saltar dois fios horizontais do tecido ou quatro fios. O pêlo do tapete fica assim mais ou menos denso. Tem-se portanto a possibilidade de determinar a gosto o número de nós feitos num decímetro quadrado do trabalho que está a ser executado.

Nos trabalhos que se destinam a ser usados como tapeçarias, o pêlo não deve ser muito comprido. Nos tapetes de pêlo mais curto os motivos sobressaem melhor. Quando se pretende que os motivos de uma superfície fiquem em relevo, executa-se o nó com fios mais compridos e desbastam-se depois as orlas dos motivos, para os fazer sobressair. Pode-se aproveitar também restos de lãs e outros fios para estes trabalhos de nós executados com uma agulha de coser.

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Motivos decorativos simples para tapetes de lã

Pontos e linhas, superfícies maiores e mais pequenas, verticais e horizontais contrastam entre si para dar vida ao trabalho.

As linhas oblíquas e em ziguezague tornam o conjunto menos monótono. São simples: basta fazer alternadamente num certo comprimento dois nós de cor clara e dois de cor escura, desfasando-os depois para a direita ou para a esquerda na fila horizontal seguinte. Um dos nós claros fica sobre um nó escuro e um dos nós escuros sobre um nó claro. Continuando a fazer os nós sempre desta maneira, obtêm-se linhas oblíquas.

Estes motivos decorativos simples ficam muito bem em tapetes, capas de almofadas ou tapeçarias. Não requerem desenhos complicados, bastando fazer um simples esboço do conjunto antes de começar o trabalho. Estão, pois, ao alcance de qualquer principiante. Nestes trabalhos a escolha das cores é muito importante: os grandes contrastes entre tons claros e escuros ou entre cores diferentes não são de bom efeito. Devem escolher-se cores pouco contrastantes e tons aproximados da mesma cor, para se obter um efeito harmonioso e repousante.

As superfícies grandes ficam menos monótonas se forem preenchidas com fios de vários tons da mesma cor – por exemplo, obtém-se um verde misturando vários tons de verde com a mesma intensidade. O conjunto fica mais bonito do que se se preencher a superfície com fio de cor uniforme.

Quando se pretende preencher a nós superfícies grandes pode-se misturar num montinho fios de lã de diferentes tons de uma cor principal. Aquilo que mais agrada num trabalho depois de pronto nem sempre foi planeado de antemão. Esses pormenores são inventados à medida que se vai executando o trabalho, em função da luz e em determinados pontos da obra.

Quando se compra a lã devem-se adquirir portanto vários tons de cada cor. A gama de tons de cada uma das cores é quase infinita. Quando se preenchem com nós os motivos constituídos por superfícies contrastantes, tem de se prestar toda a atenção aos contornos das superfícies, para que fiquem bem nítidos.

Sugestões para trabalhos decorados com estes motivos geométricos simples:

almofadas, tapetes pequenos para pôr em frente de um sofá ou de um móvel pequeno, tapeçarias pequenas, mas também tapetes grandes para o chão, de cores discretas, nem muito claras, nem muito escuras. Outra sugestão: podem confeccionar-se várias passadeiras pequenas do mesmo comprimento (por exemplo, com 1 m de largura) e com uma decoração igual ou semelhante, e uni-las depois para formar um tapete grande.

Os trabalhos decorados com motivos feitos a partir de superfícies contrastantes podem ficar ainda mais variados se se introduzir nessas superfícies com a mesma dimensão contrastes suplementares entre “grande e pequeno”.

Por exemplo, o fundo claro de uma superfície dividida em quadrados ou rectângulos pode ser enriquecido com uma nova cor contrastante, formando pequenos pontos ou linhas. Mas estas variantes devem ser experimentadas previamente em papel quadriculado – preenchendo os quadrados com cruzes feitas a lápis de cores diferentes.

Também se pode preparar moldes em tamanho natural. Divide-se uma folha grande de papel de embrulho em superfícies delimitadas por linhas verticais e horizontais e pintam-se essas superfícies a aguarela ou guache. Se o efeito do conjunto agradar – para o verificar, afaste-se da folha de papel pintado e olhe para ela fechando alternadamente os olhos – pode-se colocar a folha de papel pintado directamente por debaixo da tela. Depois passam-se esses motivos para a tela, pintando-a com guache de cores esbatidas. As cores definitivas serão escolhidas à medida que o trabalho for sendo executado. Os contrastes entre o grande e o pequeno devem ser claramente acentuados.

Depois de pronta, a tapeçaria pode ser fixada a um bambú ou vara de madeira e pendurada na parede. Para este efeito, cosem-se à orla superior da tapeçaria argolas fortes de fio de lã, distanciadas entre si cerca de 15 cm, e enfia-se o bambú nas argolas, de modo a que as pontas ultrapassem alguns centímetros a largura da tapeçaria. Assentam-se essas pontas em dois pregos pregados na parede e, se a peça for grande, prega-se um terceiro prego para assentar o meio do bambu.

 

Motivos livres e de figuras para tapetes e lã

Colocando a tela, antes de se principiar o trabalho, sobre uma folha grande de papel ou cartolina, pode-se pintar o motivo directamente sobre a tela, com aguarelas ou guaches.       Prendem-se primeiro com fita-cola os cantos da tela ao cartão, ao tampo de uma mesa ou ao chão. É preferível começar por fazer um esboço do motivo em pequeno e ampliá-lo depois, passando-o para a tela com ousadia.

Quando a pintura estiver seca devem contornar-se as formas coloridas com linhas bem definidas (caneta de ponta de feltro). Quando as tintas secam ficam na tela manchas de cores esbatidas, mas suficientemente visíveis para se poder executar os nós. Se as superfícies forem contornadas previamente com linhas bem definidas, o trabalho de tecelagem propriamente dito torna-se muito mais fácil. Como é evidente, aplica-se também aos motivos livres aquilo que já dissemos para os motivos geométricos: a escolha definitiva das cores é feita no momento em que se escolhem os fios para os nós. É feita a pouco e pouco, alternando pequenos pontos coloridos ou fazendo transições de cores.

É preciso ter muito cuidado com as superfícies uniformes grandes: podem ficar sensaboronas e informes, estragando o efeito de conjunto do trabalho. É por essa razão que sugerimos que se preencham as superfícies grandes com vários tons da mesma cor. Além disso, o trabalho torna-se mais variado e de execução menos monótona.

Os motivos livres pintados directamente na tela podem ser muito bonitos e ter um encanto muito especial quando imaginados por crianças. A riqueza da imaginação infantil e da gama de cores usada pelas crianças produzem quadros muito interessantes para serem feitos com nós e que, além do mais, estimulam a fantasia do adulto que executa o tapete.

 


31 comentários

  1. DILZA VIEIRA ELOI 25 de Abril de 2010
  2. Elisângela 5 de Maio de 2010
  3. veronica tavares 25 de Novembro de 2010
  4. Fatima Lahud 7 de Dezembro de 2010
  5. daniela 19 de Dezembro de 2010
  6. simone 29 de Dezembro de 2010
  7. Sylvia Vellosa 14 de Janeiro de 2011
  8. edna 25 de Janeiro de 2011
  9. rayssa 26 de Abril de 2011
  10. wagner ferreira campos 12 de Agosto de 2011
  11. karolaine 25 de Setembro de 2011
  12. niomar 26 de Setembro de 2011
  13. patricia 31 de Janeiro de 2012
  14. thaty 24 de Fevereiro de 2012
  15. Ariane Michelle 27 de Fevereiro de 2012
  16. Gugu Gomes 8 de Março de 2012
  17. Vera Dos Anjos 14 de Março de 2012
  18. rosalia barros 16 de Março de 2012
  19. Francisca Alves Lima 24 de Março de 2012
  20. manuela silva 21 de Abril de 2012
  21. Janete Graci Guedes 29 de Abril de 2012
  22. Sabrina Melo 14 de Maio de 2012
  23. edivania 21 de Maio de 2012
  24. Ilma 28 de Setembro de 2012
  25. yasmin 15 de Janeiro de 2013
  26. YASMIM 15 de Janeiro de 2013
  27. Ana Alves 17 de Junho de 2013
  28. marciana 27 de Junho de 2013
  29. regina maria cezar 19 de Setembro de 2013
  30. maria moutinho 18 de Março de 2014
  31. Maria Alice Andalik 17 de Fevereiro de 2016

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