Segurança da instalação eléctrica

A energia eléctrica tornou-se, nos nossos dias, um bem precioso e indispensável, mas também uma das causas mais frequentes de acidentes: além dos choques eléctricos, responsáveis por boa parte dos acidentes domésticos, também muitos incêndios têm na sua origem circuitos sobrecarregados ou fios eléctricos mal protegidos ou danificados. A verdade é que, por lei, cada instalação eléctrica deveria ser inspeccionada, pelo menos, de dez em dez anos; mas, na prática, isso raramente se verifica. E, no entanto, é essencial que a instalação eléctrica de uma casa esteja bem feita e inclua todos os dispositivos de segurança necessários. Por isso, é importante que conheça esses mecanismos e saiba como funcionam, de modo a poder verificar se a instalação eléctrica de sua casa é segura. Se concluir que não está suficientemente protegida ou detectar alguma anomalia, não hesite em recorrer a um técnico especializado (é conveniente, inclusive, que este se identifique, mostrando a respectiva carteira profissional!). Não tente, em caso algum, fazer reparações de improviso, nem entregue a tarefa a “curiosos”. Lembre-se de que a sua segurança não tem preço.

Sempre que precisar de fazer pequenas reparações (substituir um fusível ou uma tomada, por exemplo), não se esqueça de desligar o circuito correspondente e, para maior segurança, verifique com um busca-pólos se a corrente está de facto desligada. ATENÇÃO!
Se tiver algum problema no contador, no diferencial ou nos dispositivos eléctricos que se encontram na parte exterior da casa, contacte directamente a companhia distribuidora de electricidade.

Os dispositivos de protecção eléctrica

Interruptor de corte omnipolar

No quadro eléctrico, geralmente colocado perto da entrada da casa, é conveniente existir um interruptor de corte omnipolar, que permite cortar o fornecimento da corrente eléctrica em caso de necessidade. Embora a sua instalação não seja obrigatória, é muito aconselhável, pois constitui uma segurança suplementar em caso de falha de outros dispositivos.

Diferencial

Trata-se de um dos dispositivos de protecção mais importantes. Se houver alguma anomalia na instalação (um choque eléctrico, por exemplo), esta é detectada pelo diferencial, que corta automaticamente a corrente. Os diferenciais podem ter diversas sensibilidades: 30 mA (alta sensibilidade), entre 300 e 500 mA (média sensibilidade) e 1.000 mA. Obviamente, quanto maior for a sensibilidade, maior será a segurança. Por isso, é preferível possuir um diferencial de 30 mA. A rapidez de actuação do diferencial também é um factor importante. Nunca deve ser superior a 30 milésimos de segundo, pois, se alguém estiver a utilizar um aparelho com defeito e o diferencial demorar mais do que esse tempo a actuar, as consequências poderão ser graves.

A repartição dos circuitos eléctricos

Cada instalação eléctrica deve ter diferentes circuitos, em função do tipo e número de aparelhos a ligar (um para as máquinas de lavar, outro para a iluminação, outro para as tomadas, etc). A cada circuito deve corresponder um disjuntor. Desta forma, se a potência dos aparelhos ligados for superior à do respectivo circuito, o disjuntor deverá disparar, enquanto os outros circuitos permanecerão sob tensão. Além disso, também se torna mais fácil localizar a origem de um curto-circuito.

Quanto menor for a secção de um condutor, menos corrente este deixará passar. Assim, os circuitos que servem aparelhos de potência elevada (o das máquinas de lavar, por exemplo) precisam de condutores com uma secção superior à dos circuitos destinados à iluminação. E convém não esquecer que também os condutores de terra devem ter uma secção igual à dos restantes condutores (fase e neutro)!
Além disso, os disjuntores têm de estar calibrados de acordo com a secção dos condutores, ou seja, tem de haver uma correspondência adequada entre ambos (por exemplo, os condutores com 2,5 mm2 de seccção têm de estar protegidos por um disjuntor de 16 A), Se estas regras não forem respeitadas, pode dar-se um sobreaquecimento dos circuitos e, eventualmente, um incêndio!

É conveniente que os diferentes circuitos sejam identificados no quadro de entrada. Ou seja, deverá estar escrito, por cima de cada disjuntor ou conjunto de disjuntores, o nome do circuito a que se destinam. Isto evita, por exemplo, que se desligue um circuito errado: imagine que precisava de fazer uma reparação numa tomada e, por engano, desligava o circuito da iluminação!

Ligação à terra

Através dela, as fugas ou excessos de corrente são canalizados para a terra, protegendo o utilizador de um choque eléctrico. Esta ligação é obrigatória nas cozinhas e nas casas de banho, onde a presença de água aumenta consideravelmente os riscos.
Mas não é só nestas divisões que a ligação à terra é necessária: na realidade, todos os aparelhos eléctricos de classe de isolamento I – máquinas de lavar roupa e louça, fogões eléctricos, torradeiras, aquecedores, etc. – devem dispor de um contacto de terra e ficar ligados a tomadas e circuitos que também o possuam.

Nalgumas casas antigas, a canalização da água é utilizada para fazer a ligação à terra. Além de ser proibida por lei, esta situação é extremamente perigosa: muitas vezes, as canalizações em aço ou ferro são substituídas por PVC, que é um material não condutor. Além disso, este sistema pode não assegurar uma boa continuidade, por deficiente aperto das abraçadeiras ou devido à corrosão. Para cúmulo, também o vizinho de baixo poderá vir a sofrer um acidente…

Um caso especial

O corpo humano é um bom condutor da electricidade. E torna-se ainda melhor condutor quando se encontra num ambiente húmido, sobretudo se a pessoa em questão estiver com os pés descalços. Por isso, a casa de banho é a divisão da casa onde os riscos são maiores. Daí que seja necessário tomar algumas precauções especiais, dividindo-se a casa de banho em três zonas:

  • a zona da banheira, onde nunca devem ser utilizados quaisquer aparelhos eléctricos;
  • a zona que envolve a banheira até à distância de um metro, onde só é possível colocar termoacumuladores, aparelhos de iluminação de classe II (com duplo isolamento e sem necessidade de ligação à terra) e tomadas alimentadas por meio de transformadores de isolamento. Estes transformadores, de pequena potência, reduzem a tensão de 220 V para níveis mais baixos (50 ou 75 V, por exemplo) e, portanto, menos perigosos. Mas, atenção: é necessário que estejam bem isolados! Nesta área não são permitidos interruptores ou tomadas normais, nem se devem utilizar aparelhos como secadores de cabelo ou máquinas de barbear,
  • a zona exterior, ou seja, toda a área restante da casa de banho, onde apenas são interditos os aparelhos de iluminação metálicos e as tomadas sem ligação à terra.

Riscos diversos da electricidade

  • A exposição de elementos sob tensão é extremamente perigosa. Por isso, tenha sempre o cuidado de verificar se existem fios descarnados à vista, tomadas ou interruptores partidos, etc.
  • A multiplicação de aparelhos eléctricos em casa pode trazer consigo a necessidade de fazer alterações na instalação eléctrica. Não se esqueça de que este trabalho deve ser feito por um especialista que garanta o cumprimento das normas de segurança!
  • Certifique-se de que todos os aparelhos eléctricos se encontram em bom estado e possuem ligação à terra (aparelhos de classe I) ou um duplo isolamento (aparelhos de classe II, identificados por um símbolo composto por dois quadrados concêntricos.
  • Muitas vezes, as fichas múltiplas (vulgo “fichas triplas”) e as extensões não possuem ligação à terra. Nesse caso, mesmo que a tomada da instalação e a ficha do aparelho possuam ligação à terra, o seu efeito é anulado. As consequências são fáceis de adivinhar…
  • Sempre que se dê conta de que algum electrodoméstico começa a dar choques, não espere que se dê algum acidente mais grave para verificar a origem do problema.
  • Tenha o cuidado de nunca trocar os fios condutores! As ligações eléctricas são geralmente efectuadas com três condutores, cujas cores têm um significado:
    • amarelo e verde ou simplesmente amarelo, para o condutor de terra;
    • castanho ou preto, para o condutor activo (fase);
    • azul-claro, para o condutor neutro.

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