O que é e para que serve o Biofeedback?

O treino em biofeedback permite adquirir um certo controle consciente sobre funções corporais habitualmente automáticas ou involuntárias — frequência cardíaca, tensão arterial, temperatura da pele, irrigação sanguínea dos pés ou das mãos, até mesmo padrões das ondas cerebrais.

Os monitores electrónicos usados para medir estas funções produzem sinais visíveis ou sonoros. Durante o treino, a pessoa aprende a alterar estes sinais e consegue controlar voluntariamente uma função corporal até aí autónoma.

Origens do Biofeedback

Nos primeiros tempos da rádio, criou-se o termo feedback, «retroacção», para definir o princípio que permitia aos sistemas electrónicos autocorrigirem-se por meio de um circuito fechado de informação. O treino de biofeedback aplica este princípio à correcção, ou auto-regulação, dos sistemas biológicos corporais.

No final da década de 50, realizaram-se as primeiras experiências corporais de aplicação dos princípios de biofeedback num estudo de sono/sonho. As pessoas eram ensinadas a produzir padrões de ondas cerebrais alfa (estado mental de vigília tranquilo) num ecrã de electroencefalografia.

A dada altura, cientistas da Menninger Foundation, nos EUA, treinaram doentes a aliviar enxaquecas reencaminhando para as mãos o fluxo de sangue que causava constrição nos vasos sanguíneos do couro cabeludo. Para isso, ensinaram os pacientes a concentrarem-se na subida da temperatura das mãos imaginando que agarravam num objecto quente, como uma chávena de café. Desde então, o biofeedback é usado no tratamento de vários problemas médicos, sobretudo nas disfunções do sistema nervoso vegetativo (desequilíbrios funcionais).

Quem são os

O tratamento pode ser feito por médicos, psicólogos, fisioterapeutas ou outros técnicos, em centros médicos especializados como clínicas de reabilitação ou clínicas de dor.

Em que situações se aplica o Biofeedback

Esta técnica aplica-se ao controle da dor, de crises de asma, à reabilitação de certas paralisias, tratamento de insónias, enxaquecas e outros problemas ligados ao stress, sendo em geral complementada com exercícios de visualização e de respiração. Usou-se num programa de prevenção de ataques cardíacos nos EUA para ajudar certos indivíduos a controlarem melhor o stress e emoções associadas (sentimentos persistentes de cólera e hostilidade e atitudes de competitividade e ameaça), que se pensa aumentarem a vulnerabilidade às doenças cardiovasculares, em particular ao enfarte do miocárdio.
Utilizam-se sensores e sinais electrónicos para ensinar a pessoa a controlar funções orgânicas, como o fluxo sanguíneo, normalmente automáticas ou involuntárias.
Em alguns casos, o biofeedback pode substituir, total ou parcialmente, os tranquilizantes ou analgésicos ou potenciar a eficácia dos medicamentos hipotensores.

PRECAUÇÕES a ter com o Biofeedback

Acautele-se com aparelhos de biofeedback para uso caseiro adquiridos por catálogo ou de outras origens, pois são de qualidade variável. Um terapeuta credenciado ensinar-lhe-á as técnicas mais eficientes, o que não consegue num programa de auto-ensino.
? Fale com o seu médico antes de começar o treino em biofeedback, em especial se sofre de doença crónica, como a diabetes ou a hipertensão. Esta técnica pode ajudar a reduzir as doses de medicamentos, mas deve ser o seu médico a reajustá-las.

Como actua o Biofeedback

O objectivo do treino em biofeedback é ensinar as pessoas a participarem activamente no seu próprio tratamento, ainda que possam não se aperceber de que estão de facto a controlar uma função até aí involuntária. Um exemplo clássico de como o sistema funciona é a experiência, realizada em 1970 em Harvard (EUA), em que os participantes aprenderam a controlar a sua própria tensão arterial. O êxito na redução e manutenção em valores baixos da tensão era indicado por uma luz que relampejava; depois de 20 desses relâmpagos, os participantes eram recompensados com a visão breve do retrato de uma mulher nua. Muitos dos participantes disseram não ter consciência de que viam as luzes nem da reacção que estava a ser medida. Reparavam, contudo, no retrato da mulher.

Alguns cientistas pensam que o biofeedback contribui para melhorar a saúde mental e física porque promove uma sensação de controle sobre funções corporais que, a priori, não estão sob o domínio consciente da pessoa. Assim, mesmo não alcançando a cura, o treino em biofeedback dá uma sensação de auto-segurança e bem-estar que aumenta seguramente a eficácia das terapêuticas médicas e farmacológicas associadas.

O que esperar do Biofeedback

Utilizam-se monitores electrónicos para medir reacções físicas específicas; os tipos de monitorização mais usados são:

  • A electromiografia (EMG), que mede a tensão muscular e a actividade eléctrica dos músculos;
  • A electroencefalografia (EEG), que regista as ondas cerebrais;
  • A monitorização da temperatura da pele, que regista alterações mínimas indicativas de mudanças no fluxo sanguíneo (reacções galvânicas da pele).

Os monitores utilizados dependem da perturbação funcional que se pretende tratar. Se se quer reduzir a tensão muscular que provoca dores fortes no pescoço, colocam-se eléctrodos de EMG sobre os músculos em questão. Estes eléctrodos convertem a actividade eléctrica dos músculos numa imagem visível num ecrã ou em sinais sonoros ouvidos através de auscultadores. O terapeuta ensina então o doente a alterar os sinais para reduzir a tensão muscular. Do mesmo modo, ao aprendei- a controlar os sinais registados num EEG, a pessoa passa a controlar melhor o stress, a dor, a insónia e, em alguns casos, os ataques epilépticos.

Os monitores de temperatura cutânea, sensíveis às pequenas flutuações da temperatura da pele devido a alterações no fluxo sanguíneo, ajudam a atenuar ou anular uma enxaqueca mal ela se anuncia e, a quem sofre de distúrbios circulatórios, a reduzir o desconforto das mãos e pés frios.
A princípio, ver a imagem ou ouvir o som é indispensável para tomar consciência de uma certa função corporal e para passar a controlá-la voluntariamente; depois de um treino bem-sucedido, o monitor torna-se desnecessário e o auto-controle de biofeedback consegue-se com um esforço de concentração e exercícios respiratórios adequados.


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