O que é o Ecoturismo: Como apareceu e a sua história

O objetivo deste artigo, é levá-lo a descobrir algo mais sobre o ecoturismo e sua importância para o desenvolvimento da atividade turística.

O turismo é uma atividade que tem crescido muito nas últimas décadas, tanto no Brasil quanto em diversas partes do mundo. A EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo) e o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês) apontam que o número de estrangeiros que visitam o Brasil, anualmente, é de cerca de cinco milhões de pessoas, das quais mais de metade são provenientes de países da América do Sul, principalmente Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai; seguidos de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Portugal.

No Brasil, alguns fatos importantes demonstram o crescimento do turismo. Investimentos do setor privado, com a construção de hotéis, parques temáticos e centros de convenção; assim como a criação de inúmeros cursos voltados à formação em turismo, desde cursos rápidos e técnicos até graduações (que atualmente são mais de 500, em todo o país) e pós-graduações. Por isso, a área precisa de profissionais capacitados, comunicativos e que, em algumas situações, tenham conhecimento de um idioma estrangeiro.

O turismo, como o conhecemos hoje, é uma atividade iniciada em 1841, com a realização da primeira viagem organizada de que se tem registro. Foi uma excursão, na Inglaterra, entre as cidades de Leicester e Loughborough. Um jovem pregador batista, Thomas Cook, teve a idéia de alugar um trem a fim de levar os fiéis de sua igreja a um congresso antialcoólico.

Para saber mais sobre esses assuntos, leia o livro, Aprendiz de Lazer e Turismo e o livro, Passaporte para o Mundo. Mas vale lembrar o conceito de turismo da Organização Mundial do Turismo, que é adotado no Brasil. Nesse conceito, o turismo é “uma atividade econômica representada pelo conjunto de transações – compra e venda de serviços turísticos – efetuados entre os agentes econômicos do turismo, gerado pelo deslocamento voluntário e temporário de pessoas para fora dos limites da área ou região em que têm residência fixa, por quaisquer motivos, excetuando-se o de exercer alguma atividade remunerada no local que visita”.

O turismo, quando comparado com outras atividades, como a industrial ou agrícola, costuma causar menos problema à natureza e às pessoas. Contudo, se mal planejado, pode promover grandes descaracterizações às paisagens naturais e culturais dos destinos turísticos.

Nos anos 1970 e 1980, houve uma expansão dos locais turísticos, os quais foram saturados com infra-estrutura, equipamentos e serviços de apoio ao turismo. Tratou-se de uma fase de excessos, acentuada pela baixa qualidade das casas e infra-estrutura das localidades turísticas, onde predominou o concreto, o crescimento desordenado, a arquitetura urbana, falta de controle de efluentes. Com isso, grandes extensões de áreas acabaram transformando-se de destinações turísticas em locais de segundas residências, desabitadas fora da temporada de visitação.

Vejam alguns exemplos problemáticos do período de turismo desordenado

  • aumento e esgotamento de recursos naturais;
  • grande quantidade de construções, descaracterizando a paisagem original;
  • aumento da produção de lixo e esgoto;
  • alteração de ecossistemas naturais devido à introdução de espécies exóticas (de fora da localidade) de animais e plantas;
  • compra de lembranças produzidas a partir de elementos naturais escassos;
  • descaracterização cultural, com perda de valores tradicionais;
  • aumento do custo de vida, gerando inflação;
  • geração de fluxos migratórios para áreas de concentração turística;
  • adensamentos urbanos não planejados; favelização.

Mas esse modelo turístico está se esgotando e novas formas de praticar o turismo, respeitando a natureza, começam a se consolidar.

O ecoturismo surgiu também por causa desses problemas causados pelo turismo. Alguns turistas não estavam interessados nos padrões de consumo desse modelo indicado no parágrafo anterior. Assim, após a década de 1980, ocorreu uma renovação da atividade, com o enaltecimento da calma, das aventuras e o desejo por conhecer de forma mais aprofundada as regiões visitadas.

Foi durante as duas últimas décadas do século XX que o Ecoturismo passou a ser visto como possibilidade de proporcionar benefícios tanto para a natureza quanto para a sociedade (as pessoas que trabalham com o turismo, assim como as comunidades moradoras de locais turísticos).

Esses benefícios foram motivados após a conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente na cidade do Rio de Janeiro em 1992 – a chamada Rio-92. Nessa conferência, consolidou-se o termo desenvolvimento sustentável. Para aprofundar sobre as premissas do desenvolvimento sustentável, veja o livro, Ética, Meio Ambiente e Cidadania para o Turismo.

Em linhas gerais, o conceito de sustentabilidade aponta diretrizes sobre o modo como os seres humanos enxergam e se relacionam com a natureza. Isso acabou por estimular o interesse global e o grande crescimento do ecoturismo como uma estratégia de desenvolvimento sustentável.

Assim, começou a surgir um turista interessado em ambientes conservados e as instituições que trabalham com turismo passaram a estabelecer diretrizes políticas para um turismo sustentável. Veja alguns encontros ao longo da década de 1980 que contribuíram, ao lado de novas aspirações dos turistas, para a estruturação de um turismo alterna­tivo ou brando, as raízes do ecoturismo:

  • em 1980, uma conferência da OMT, que é considerada um marco nas mudanças de direção do turismo;
  • em 1981, é estabelecido em Bancoc, na Tailândia, a Comissão Ecumênica em Turismo do Terceiro Mundo (ECTWT), que propõe apoio aos modelos de turismo alternativo desses países;
  • em 1989, na Polônia ocorre um encontro sobre perspectivas teóricas em formas alternativas de turismo e
  • também em 1989, na Argélia, realiza-se um seminário sobre turismo alternativo da OMT, do qual surge a proposta de turismo sustentável.

Expansão do ecoturismo

Atualmente, o ecoturismo se expande aproximadamente 20% ao ano. No Brasil, em 2001, 13,2% dos estrangeiros que visitaram o país eram ecoturistas. Esse crescimento do turismo na natureza reflete mudanças muito importantes na forma como os seres humanos observam e interagem com o ambiente natural.

Mas o turismo em ambientes naturais ainda vem sendo desenvolvido de forma bastante restrita e com ações isoladas. Dessa forma, o grande potencial natural e cultural existente ainda não é plenamente aproveitado como alternativa de desenvolvimento econômico e social para as comunidades locais e como propulsor da conservação e da proteção do ambiente natural. Por isso, faz-se necessária a ação conjunta de governantes, iniciativa privada, entidades do terceiro setor e comunidades, de forma que os recursos existentes nos ambientes naturais sejam aproveitados de maneira sustentável.

Quando é que nasceu o termo Ecoturismo?

O termo ecoturismo foi criado no início da década de 1980. Trata-se de uma atividade turística desenvolvida em áreas naturais em que o visitante procura algum aprendizado sobre os componentes do local visitado. Safáris fotográficos, estudos do meio e observação da fauna são algumas das possibilidades que o ecoturismo oferece. É baseado, assim, em atrativos naturais variados como cachoeiras, rios, lagos, grutas, montanhas, fauna e flora. Necessita, portanto, de um ambiente pouco alterado pelo homem para suas práticas.

Em 1994, o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT) e o Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal (MMA), empresários e consultores formaram um Grupo de Trabalho. Esse grupo formulou as Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo, na qual a atividade foi assim definida:

Definição de ecoturismo

Segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promoven­do o bem-estar das populações.

Por essa definição, podemos perceber que o ecoturismo precisa ser praticado de uma forma sustentável. As atividades planejadas não podem promover degradações na natureza; ao contrário, deve contribuir para sua conservação. Para uma prática turística ser entendida como ecoturística, ela também precisa propor ações para que o turista seja informado e sensibilizado para a conservação e importância das áreas visitada. Isso pode ser feito por meio de técnicas de interpretação ambiental.
Finalmente, o ecoturismo deve envolver a comunidade local nas decisões de implantação de atividades e serviços do turismo, garantindo que as aspirações dessas comunidades sejam atendidas.

É nesse conjunto de procedimentos e preocupações que o ecoturismo se embasa. Não respeitar quaisquer desses preceitos não é praticar o ecoturismo.

Na perspectiva de oferecer mais uma solução possível à questão da preservação ambiental, adquiriu grande expansão um conjunto de novas práticas turísticas sob essa denominação. Como alternativa ao mercado, tende a privilegiar áreas de natureza praticamente intocada, adotando o discurso preservacionista e da sustentabilidade, conforme pronunciam entidades de referência internacional como a Ecotourism Society (www.ecotourism.org). O ecoturismo delimita, a princípio, uma ruptura com as formas tradicionais de visitar a natureza, ao pautar-se pela busca prioritária da preservação dos ecossistemas e pela sustentabilidade da atividade, tomada inclusive como forma de viabilizar economicamente a própria preservação ecológica.

No final do século XX, o amplo debate em torno de temas como a poluição urbana, o estresse cotidiano, a valorização da biodiversidade e a preservação ambiental, possibilitaram o advento de novas práticas e discursos no âmbito do turismo direcionado à natureza. Intensifica-se progressivamente a busca de áreas naturais, para muito além das zonas costeiras tropicais (o tradicional binômio praia-sol).

Dessa forma, o ecoturismo constitui-se num conjunto de princípios de respeito à natureza e à cultura local. Para ser seu praticante, também é preciso compreender e respeitar essas dimensões. Uma delas é o perfil do ecoturista. Quem é ele? Quais são suas necessidades e aspirações?

Perfil do ecoturista

Os ecoturistas, geralmente, apresentam elevado grau de instrução: muitos concluíram um curso superior e preferem locais que respeitam as culturas tradicionais e a natureza. Eles querem aprender e buscam informações e esclarecimentos nas destinações visitadas.

Os esclarecimentos requisitados pelos ecoturistas dizem respeito, principalmente, às características da natureza, ou seja, são pessoas que se apresentam motivadas para aprender sobre rios, montanhas, oceanos, florestas, árvores, flores e fauna silvestres. No entanto, não se preocupam apenas em observar uma paisagem ou elemento da natureza, mas também em sentir e perceber algo mais de seu valor, por exemplo: a importância da natureza para a sociedade, seu valor histórico, produção de recursos (alimentos e matéria-prima), oportunidades de reflexão, contemplação, controle de processos (controle de erosões e inundações, fotossíntese e produção de biomassa), entre outros. Procuram, além do rico contato com a natureza, vivenciar novos estilos de vida e esperam ver o dinheiro que gastam em suas viagens, contri­buindo para a conservação e para o benefício da economia local.

O ecoturista aceita um guia mais descritivo e espera o fornecimento de um nível apropriado de explicação sobre a natureza e a cultura das localizações visitadas. Sendo assim, as pessoas que trabalham com o ecoturismo devem ser capazes de explicar conceitos, significados da natureza, de entender a estrutura e a dinâmica básica dos ecossistemas e das paisagens naturais, e ser capazes de explanar sobre as conseqüências das mudanças promovidas pelo ser humano, considerando os princípios básicos da conservação da natureza.

É bom lembrar que os conhecimentos necessários adquiridos por meio de livros e cursos devem estar associados e não substituir a familiaridade com o meio, que é uma ferramenta poderosa para os guias de ecoturismo. Os conhecimentos já existentes na comunidade local devem ser reconhecidos, valorizados e utilizados na explicação sobre a natureza.

Modalidades ou segmentos associados ao ecoturismo

Com base nas informações sobre ecoturismo apontados no tema anterior, é possível ainda verificar algumas especializações ou atividades a ele associadas.

Ressalta-se que há inúmeros conceitos e abordagens a respeito das modalidades de turismo na natureza. Assim sendo, apresentamos algumas possibilidades de turismo na natureza, que são variadas, indo do ecoturismo ao turismo rural, ao de aventura e outros, como o turismo cultural e o turismo de pesca, por exemplo.

O turismo Rural

Segundo a EMBRATUR, turismo rural é:
O conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometido com a produção agropecuária, agregan­do valor a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e natural da comunidade.

Assim, pode-se afirmar que o turismo rural é uma atividade que une a exploração econômica agropecuária com outras funções, como a valorização do ambiente rural e da cultura local (caipira, cabocla etc), sendo esses seus atrativos principais.
Como a atividade agropecuária é sazonal, ou seja, só ocorre em alguns meses do ano (época do plantio, irrigação, colheita etc), e, Passeio a cavalo no interior de Santa Catarina como a turística, é sazonal (os períodos de férias e feriados etc), essas duas atividades devem ser pensadas de uma forma associada. O turismo vem a complementar a renda dos proprietários rurais, não devendo ser, no entanto, a única fonte da qual dependem.

Além disso, a criação de meios para manter o homem no campo proporciona a resolução de dois problemas cruciais: desacelerar o crescimento urbano e frear o êxodo rural dos pequenos municípios e vilarejos. Nesse contexto, a atividade turística contribui para alguns dos problemas encontrados no campo.

Inúmeras razões justificam o crescimento do turismo rural:

  • a ampliação e melhoria das estradas e dos meios de comunicação que ligam os centros urbanos ao meio rural, reduzindo o tempo de deslocamento e o isolamento entre esses espaços;
  • a expansão das residências secundárias e dos sítios voltados ao lazer e condomínios;
  • o stress e o crescente custo de vida urbano, decorrentes do crescimento intenso e desordenado das cidades;
  • a busca pela volta às origens rurais dos antepassados.

O que se destaca, no turismo rural, é a prática da atividade turística que envolve os elementos do campo, lembrando que esses elementos são o homem, seus costumes, tradições e produção, a paisagem, entre outros.

O turismo de Aventura

A busca por atividades de aventura em ambientes naturais apresentou um forte crescimento nos últimos 15 anos. Foram criadas diversas empresas que têm como produto inúmeras práticas, ou esportes, chamados de aventura, como rafting (descidas, com botes infláveis, em rios com forte corredeira), rapel (descidas, com cordas, de penhascos ou cachoeiras), pára-quedismo, vôo livre.

Em oficina realizada pela Embratur, em 2001, em Caeté (MG), o turismo de aventura foi definido como:

Segmento do mercado turístico que promove a prática de atividades de aventura e esporte recreacional ao ar livre, envolvendo emoções e riscos controlados e exigindo o uso de técnicas e equipamentos específicos, a adoção de procedimentos para garantir segurança pessoal e de terceiros e o respeito ao patrimônio ambiental e sociocultural.

Pode-se dizer que o crescimento das viagens junto à natureza relacionadas, ao turismo de aventura, resulta do cruzamento de duas tendências atuais: a expansão dos esportes de aventura e a valorização do consumo de cenários naturais, por meio da atividade turística. A superação de limi­tes juntamente com a busca por novas emoções e adrenalina são objetivos comuns entre os adeptos.

Vale a pena ressaltar que tem se tornado cada vez mais comum a organização de viagens, envolvendo a prática de atividades de aventura, visando a desenvolver o espírito de equipe entre os participantes. Essas viagens vêm sendo utilizadas como instrumento para motivar funcionários de empresas de vários setores, estimulando a integração, desenvolvendo paciência, tolerância e companheirismo, além de outras habilidades como equilíbrio, força, coordenação, estratégia, etc.

Leia o texto a seguir sobre Brotas (SP), importante destino turístico do Brasil, conhecida pela prática de rafting, entre outras atividades de aventura:

Em 1993, um grupo local de ecologistas fundou em Brotas a agência “Mata dentro Ecoturismo”. Oferecendo leque sortido de opções de esportes de aventura, com trinta guias especializados, a cidade recebe seiscentos turistas mensalmente, tornando-se na opinião de diversas agências a “capital paulista dos esportes radicais”. Funciona ali o “Raid Brotas Discovery”, uma espécie de escola de esportes de aventura, destinada a iniciar novos adeptos, ou seja, novos consumidores do produto oferecido naquela região. Pensa-se em se fundar na cidade uma biblioteca/videoteca pública temática, dedicada exclusivamente aos esportes de aventura. (…) A pequena cidade vem se reestruturando completamente para atender à nova demanda.
É interessante notar que, do fluxo de turistas de aventura em Brotas, 80% provêm da capital paulista.

Um indicador do crescimento do turismo de aventura é o número de freqüentadores de eventos de aventura como a Adventure Sports Fair, feira anual do setor, que acontece em São Paulo, desde 99, quando recebeu 42 mil visitantes. Outro indicativo é o aumento do número de empresas e do volume de vendas no setor de equipamentos, vestuário e calçados para aventura ao ar livre.


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  1. Edson Souza 7 de Fevereiro de 2015

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