Classificação e origem do grão de bico

O grão, vulgarmente chamado Grão de bico, é uma leguminosa da tribo das Vicieas e do género cicer, sendo o nome latino ou botânico da espécie cicer arietinum devido à semelhança que os classificadores encontraram entre a forma do grão e a cabeça d’um carneiro.

É uma planta ramificada que atinge 20 a 60cm. de altura, folhas quase sempre imparipinuladas, com folíolos pequenos, dentados, pubescentes, glandulosos, segregando uma substância viscosa, principalmente no verão, que faz nódoas amarelas no fato e irrita as feridas dos animais, sendo prejudicial também às mulheres em certos períodos críticos, segundo afirma por experiência a gente do campo.

As flores são solitárias, pedunculadas, axilares, com os pedúnculos mais curtos do que as folhas e articulados ao meio. Cálice 5 partido com sépalas sub-iguais, lanceoladas, aderentes na base, formando um tubo largamente campanulado.

Flores brancas, rosadas ou avermelhadas, conforme as variedades, com estandarte ovado e asas livres; estames diadelfos; estilete filiforme, glabro, com estigma terminal.
Vagem ovóide entumescida, bivalve, apiculada, com uma ou duas sementes, raramente mais, rugosas ou lisas, de côr esbranquiçada, rosada ou preta.
De Candolle diz «que se conhecem 15 espécies do género cicer, todas da Asia ocidental e da Grécia, com excepção de uma da Abissínia. M. Zucchini diz que só se conhece uma espécie e o Prof. Pereira Coutinho também descreve só uma.

Uma espécie de grão de bico verde levemente mais claro do que a nossa variedade de grão de bico grado vulgar que é pouco produtiva, mas como os grandes mercados consumidores a pagam por preço mais elevado, do que o outro grão, em tempos normais, a sua cultura tem-se generalizado nas regiões onde os terrenos lhe são mais próprios.

Nos Barros frios de Beja, por adaptação, tende para mais miúdo, mais escuro e menos rugoso, confundindo-se em poucos anos com o grão grado vulgar, amarelo, da região. É por isso necessário renovar frequentemente a semente.

Nos Barros forneiros conserva mais tempo as suas características, e parece que nos aluviões recentes e salgados das margens do Tejo é onde se conserva mais puro.

O grão de bico mais grado e bem criado não deve passar meio crivo de 10 m/m. O seu peso específico varia entre 76 e 78 quilos os 100 litros, pesando em média 15,5 quilos os 20 litros.

GRÃO DE BICO

GRÃO DE BICO GRADO AMARELO OU ASSARTO

Era o melhor grão que se cultivava em Portugal antes de se importar o gravanço. É grado, mas um pouco menos do que o gravanço, e mais arredondado, não devendo passar pelo crivo de 8 m/m, ou mesmo pelo de 9, quando bem criado.

É também rugoso mas não tanto como o primeiro, levemente creme quando novo e de côr mais carregada alguns meses depois.

A flor é branca, semelhante à do gravanço, e adapta-se melhor do que este a quase todos os barros e argilo-calcáreos. O peso especifico regula por 80 quilos, ou 16 os 20 litros.

GRÃO DE BICO MIÚDO OU VULGAR

Deverá considerar-se uma sub–variedade do grão grado amarelo, formada por adaptação secular aos terrenos menos próprios para a cultura do grão.
É o grão mais miúdo que se cultiva, quase do tamanho do preto, devendo passar pelo crivo de 8 m/m. É levemente rugoso, apresentando muitos grãos lisos e mais escuros.
É a variedade mais produtiva, mas devido ao baixo preço que atingiu quase o preço do milho. Tem diminuído consideravelmente a sua cultura. O seu maior consumo é para rações, em substituição da fava, e para engorda de porcos e se não tem desaparecido de todo é porque se agüenta melhor do que as variedades mais finas nos terrenos mais arenosos e menos próprios para a cultura do grão, e para aproveitamento de algumas terras inçadas de orobanca onde não é possível cultivar fava.

No Baixo Alentejo onde é mais cultivado é na região de Serpa. Costuma ser um pouco mais pesado do que o grão grado.

GRÃO DE BICO PRETO

grão de bico preto

Começou a cultivar-se há uns 100 anos com o nome de grão marroquino, talvez por ter sido importado do Norte de África e tem-se generalizado ultimamente a sua cultura, tanto para rações como para café.

Parece que é o alimento mais concentrado que os árabes usam para sustento dos camelos através dos desertos. Nas rações dos equídeos, em mistura com a aveia e a cevada, substitui perfeitamente e talvez com vantagem a fava, em igualdade de peso ou volume. Tem fama de se adaptar bem e produzir regularmente mesmo nos terrenos pouco próprios para a cultura dos outros grãos de bico claros.

A rama é mais miúda do que a dos outros grãos e a flor arroxada e pequena. O grão é um pouco mais alongado do que o grão vulgar, anguloso, e talvez por isso mais leve do que os outros grãos, pois o seu peso específico, em geral, não passa de 75 quilos ou 15 os 20 litros.


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